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Cuiabá MT, Quinta-feira, 18 de Junho de 2026

ARTIGO
Sexta-feira, 22 de Maio de 2009, 21h:23

VICENTE VUOLO

O Aeroporto de Cuiabá é uma mixórdia

É mais um descaso com Mato Grosso. A Infraero não tem data marcada para o reinício das obras de conclusão do Terminal de Passageiros do Aeroporto Marechal Rondon. O resultado é que o Terminal de Desembarque se transformou numa mixórdia, ninguém entende nada. O tumulto é generalizado. Recentemente, o senador Jayme Campos anunciou da tribuna do Senado que convocará o presidente da Infraero, brigadeiro Cleonilson Nicássio Silva, a fim de pedir esclarecimentos para esse descaso. O senador, que já foi prefeito de Várzea Grande, cidade onde está localizado o aeroporto, classificou de “vergonhosa” a situação atual. Mas então, qual é o critério de desembolso adotado pelo governo federal para os investimentos em infra-estrutura aeroportuária? Por que existem recursos para vários aeroportos no Brasil e não tem para Cuiabá? É bom lembrar que em fevereiro de 1975, a Infraero assumiu a administração do nosso aeroporto com a promessa de execução de várias obras para atender a demanda do complexo aeroportuário. A partir de 1996, com a internacionalização e o aumento progressivo dos vôos comerciais as necessidades aumentaram ainda mais. Mas o que presenciamos, simplesmente, foi apenas e tão somente a paralisação das obras. Enquanto isso, o Aeroporto Internacional de Florianópolis (SC), administrado pela Infraero, inaugurou, no dia 29 do mês passado, a ampliação das salas de embarque e desembarque com investimentos da ordem de R$ 2,8 milhões. Em Porto Velho, foi inaugurado no último dia 6 de maio o novo Terminal de Logística de Carga (Teca), com adequação visual, reformas estruturais e mobiliário. Em São Luís (MA), a Infraero investirá este ano R$ 15 milhões para retomar as obras da pista de pouso e decolagem do Aeroporto Internacional Marechal Cunha Machado, reforço este que permitirá a operação em sua pista de aviões que transportam até 300 passageiros. No Centro-Oeste, o Aeroporto de Goiânia terá um novo e moderno terminal. O Aeroporto Internacional de Brasília foi ampliado e recebeu uma segunda pista de pouso, para atender o intenso tráfego aéreo de terceiro aeroporto mais movimentado do Brasil. Na Região Sudeste, o Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, teve concluída, em 2008, a obra da passagem subterrânea que liga a Av. Washington Luis ao aeroporto, além de outras obras. Em Campinas, foi realizada a reforma e adequação do terminal de passageiros de Viracopos, que passou a ter capacidade para 2 milhões de passageiros por ano. Também for inaugurada a obra de reforma e modernização do Aeroporto de Uberlândia. Tudo isso mostra que os investimentos fluem para todos os lados. E como fica o nosso Estado? Quais os prejuízos para a economia e o turismo? Ora, senhor presidente da Infraero, se existe a vontade pessoal do Presidente Lula em fortalecer cada vez mais o Mercosul, Mato Grosso não pode ser esquecido. A proximidade com a Bolívia, Paraguai, Chile e dos países do Pacífico justificam a construção de um moderno aeroporto internacional em nossa capital. Aliás, uma empresa aérea boliviana chegou a operar alguns vôos, num passado recente, entre Santa Cruz de La Sierra até Cuiabá, mas, por falta de segurança, aparelhamento de raio X e conforto, o vôo foi cancelado. A integração de Mato Grosso em vôos internacionais permitirá a implantação de um mercado comum fortíssimo, levando-se em consideração a potencialidade turística, do solo e das condições climáticas favoráveis de Mato Grosso. O processo de globalização é irreversível. E Mato Grosso tem que investir, além da ferrovia, em transporte aéreo para garantir o seu lugar nesse mundo novo. A nossa esperança é que o Mercosul supere suas dificuldades e comece a funcionar plenamente e, que possibilite a entrada de novos parceiros. E Mato Grosso é o portal do Mercosul. * VICENTE VUOLO é economista, ex-vereador de Cuiabá e assessor parlamentar do Senado Federal [email protected]

Edição EDIÇÃO 16964




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