Esta semana a divulgação de um estudo realizado pela Pearson International, sobre a qualidade da educação mundial, aponta o Brasil como penúltimo lugar no ranking, ocupando a 39ª posição, à frente apenas da Indonésia e atrás de quatro países da América Latina, como o México, Chile, Colômbia e Argentina. Liderado pela Finlândia, o ranking foi elaborado a partir da análise de dados de três testes internacionais, que avaliam o aprendizado de matemática, leitura e ciência dos alunos durante o ensino fundamental (1º a 9º ano) e feito a partir da variação da média global, calculada pelo desempenho das 40 nações avaliadas pelo índice, ficando em primeiro lugar o país com a maior variação positiva. Não causa nenhuma estranheza a posição do Brasil nesse ranking, até porque a educação é uma área que há muito vem sendo relegada a planos inferiores pelos governos. Por aqui, ao contrário do que ocorre nos países que estão no topo da lista, como a Finlândia e a Coreia do Sul, onde há uma "cultura" nacional de aprendizado, que valoriza professores, escolas e a educação como um todo, não apenas os investimentos no setor são irrisórios, como também a capacitação e a valorização dos professores há um bom tempo deixaram de fazer parte da lista de prioridades para a área. O resultado, claro, não poderia ser outro senão a baixa qualidade do ensino, com grande parte dos estudantes que deixam o ensino fundamental para ingressar no ensino médio, sem ao menos saber escrever ou ler de forma correta. Vão simplesmente passando de um ano para o outro, até o final, sem conseguir aprender o mínimo necessário. É uma lástima. As escolas da rede pública, e aí incluímos as estaduais e municipais, com raras exceções (ainda bem que temos exceções), se dispõem a simplesmente cumprir o calendário escolar _ muitas vezes atropelado por paralisações _ sem conseguir passar aos alunos conteúdo de qualidade. E a culpa por tal desempenho não pode ser atribuída unicamente aos professores. A grande maioria deles se empenha para educar de fato seus alunos. A culpa na verdade é do sistema como um todo, onde prevalece a estrutura física precária das escolas, onde falta praticamente tudo, e o número baixo de horas em sala de aula, que contribuem para o elevado índice de repetência e de abandono escolar. O resultado dessa união de fatores é a classificação do Brasil como um dos piores do mundo na área da educação. Pelo andar da carruagem, se não houver um empenho maior das autoridades do setor, com investimentos para melhorar não apenas a parte física, mas também o conteúdo, com a devida capacitação e valorização dos professores, na próxima pesquisa o Brasil com certeza passará a ocupar o último lugar no ranking. TÂNIA NARA MELO é editora de Opinião do Diário tâ
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