ARTIGO
Sábado, 06 de Junho de 2009, 16h:29
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PAULO LEITE
Nem vilões, nem radicais...
Sabe aquele personagem do Ziraldo, o Menino Maluquinho? Pois bem, ele me lembra muito o ministro Carlos Minc, do Meio Ambiente. Atrevido e desbocado, o sucessor da senadora Marina Silva nesta pasta é capaz de provocar risos e, logo em seguida, irritação entre seus interlocutores. Com seu espalhafatoso colete de bichinhos e sua rala cabeleira em desalinho, Carlos Minc mais parece um animador de festa infantil. Sua imagem irreverente de garotão de Ipanema contrasta com as decisões duras que vem tomando à frente do ministério. Ele agride os produtores rurais, insulta parlamentares e bate de frente com colegas do próprio governo. Aliás, sua incontinência verbal tem-lhe rendido desafetos dentro e fora da administração federal. A ponto de o presidente Lula pedir cautela e moderação ao titular do Meio Ambiente. Se a ex-ministra Marina Silva foi introspectiva e taciturna na condução da política ambiental do país, Minc tem sido frívolo e excessivamente festivo na gestão do setor. O debate sobre o futuro dos ecossistemas que compõem o bioma nacional requer serenidade. Não se muda hábitos seculares apenas com ameaças e chantagens. A mentalidade dos produtores rurais brasileiros foi esculpida com o passar dos anos. O governo federal foi o maior incentivador do desmatamento no país. Há pouco mais de duas décadas, o Incra Instituto Brasileiro de Colonização e Reforma Agrária, impunha metas para derrubadas de floresta na Amazônia. Quanto mais os colonizadores devastassem, mais acesso a novos quinhões de terra teriam. Levas e levas de colonos foram trazidos para nossa região, na tentativa de aplacar as tensões sociais pela posse da terra no Sul do país. Naquele momento, parecia lógico evitar conflitos em troca de um punhado de chão no Brasil Central. Vieram, então, com a ordem para ocupar as matas, arrancar árvores, queimar bosques e represar rios. O lema na época era: integrar para não entregar. Eles chegaram e foram despejados no cerrado e na floresta, sem nenhum acesso a informação ou a tecnologia dos meios corretos para a utilização do solo. Por muito tempo foram vistos como heróis, fundadores de um Brasil novo e produtivo. Mas agora, de uma hora para outra, são apontados como criminosos e inimigos da pátria. Calma! Não é isso... Como disse, esse debate exige serenidade. Mais do que isso, merece ser tratado com maturidade. Nem os agricultores são vilões, nem tampouco os ecologistas são radicais incendiários. Os dois segmentos, moderados pelo Congresso Nacional, precisam discutir os limites de uma legislação que garanta a preservação ambiental sem, contudo, punir o setor produtivo. Na verdade, se faz necessária a celebração de um pacto pelo desenvolvimento sustentado, em que ruralistas e ecólogos encontrem pontos de convergência que alimentem a consolidação de um marco jurídico capaz de criar um zoneamento agroeconômico e ambiental para assegurar a produção de proteínas sem agredir a natureza. Mas isso não acontecerá com estrelismos e desaforos. O ministro Carlos Minc terá que relaxar e renunciar ao seu estilo Menino Maluquinho para encarar essa missão. Pois uma nova mentalidade não se cria com agressividade e impropérios, mas sim com a razão. A defesa do meio ambiente exige altas doses de paciência e negociação. É como costurar argumentos em cabeças cansadas. É como soldar o vento às águas do mar, formando ondas. Portanto, é tarefa para um artesão da política. É objetivo que só será alcançado com diálogo. Na porrada não vai!!! * PAULO LEITE é jornalista