Armada pelo voto livre, secreto e universal, lá vem à gloriosa democracia em legitimado poder de escolha (do latim legião). Uma legião de votos em busca da cidadania perdida e tantas vezes prometida em mais de um pleito eleitoral. Candidaturas armadas pelo escudo da oratória, pela lança do desenvolvimento nem sempre sustentado e pelo punhal afiado do Estado. Estado reformulado ao longo de sua história institucional. Estado advindo de um império colonial. Estado ampliado em extensão territorial. Estado de bravos em tempo de paz e de guerra. Estado de bravatas pela conquista de uma mesma terra. Terra explorada além de um litoral sem mata atlântica nativa. Terra dos povos escravizados pelos latifundiários de mais de uma capitania. Terra da palmeira e do sabiá. Terra das Minas Gerais e das Minas de Cuiabá. Terra do ouro verde de mais de uma nação. Terra do ouro amarelo em mais de uma aluvião. Terra do ouro viscoso em mais de uma reserva natural. Terra continental. Terra sonhada além de uma esmeralda procurada em entradas e bandeiras. Terra de um mesmo diamante rolado em corredeiras. Terra dos canaviais e dos cafezais em ciclos econômicos movidos pela escravidão. Terra das desigualdades perpetuadas em mais de um sertão. Terra das oportunidades e dos oportunistas mais que ocasionais. Terra dos titãs em páginas literárias regionais. Terra dos pampas e dos pantanais. Terra dos cerrados em mais de um galho retorcido em chama incandescente. Terra Tupi Guarani. Terra do afro-descendente. Terra de mais de um inconfidente pela liberdade nunca tardia. Terra de mais de um Pedro coroado pela mesma monarquia. Terra do infante abandonado pela família e desamparado pelo Estado. Terra do morro em fogo cruzado. Terra do asfalto em arrastão combinado. Terra dos rios condenados pela modernidade. Terra dos córregos soterrados sem qualquer urbanidade. Terra das tendas em lonas armadas ao sabor da ventania. Terra das lendas contadas em mais de uma periferia. Terra das regalias palacianas em mais de um tapete persa no chão do salão principal. Terra da educação relegada em exercício governamental. Terra da saúde sem atendimento médico e sem hospital. Terra da segurança pública cada vez mais sucateada. Terra dos impostos abusivos de uma pátria deveras letrada. Terra dos analfabetos mais que funcionais. Terra dos socorridos em migalhas assistenciais. Terra da imprensa livre sem qualquer cavalo de Tróia desembarcando em mais de uma manchete de jornal. Terra da moto serra controlada em nome da floresta tropical. Terra dos brasileiros e das brasileiras em todos os instantes constitucionais. Terra dos direitos, dos deveres e das obrigações legais. Faça a sua escolha sem usar qualquer jargão. Vote pela razão. Vida longa à liberdade de expressão! *AIRTON REIS é poeta em Cuiabá-MT
[email protected]