ARTIGO
Sexta-feira, 07 de Março de 2014, 20h:36
A
A
TÂNIA NARA MELO
Mulheres
Hoje, dia 8 de março, comemoramos o Dia Internacional da Mulher. As homenagens, mundo afora, começaram ainda no início da semana. Na TV, rádio, jornais e mídias sociais, as mulheres estão sendo reverenciadas das mais diferentes formas. Hoje, com certeza, teremos não apenas homenagens, mas também protestos, pois apesar de todas as conquistas ao longo das últimas décadas - e não foram poucas -, boa parte delas paridas com fórceps, o panorama geral ainda é desolador. Hoje, a participação das mulheres no mercado de trabalho e na economia do país é altamente significativa, mas não podemos negar que ainda assim existem muitos obstáculos a vencer, pois a grande maioria, apesar de capacitadas profissionalmente, recebe salários até 40% menores que os dos homens. Sem contar que uma boa parcela ainda cumpre dupla ou tripla jornada de trabalho, já que as tarefas domésticas e a educação dos filhos são incumbências que a sociedade lhes delega naturalmente, quer queiram ou não. Apesar dos avanços, as mulheres ainda sofrem com a discriminação e muitas vezes são submetidas a constrangimentos. Como se isso não bastasse, elas são as principais protagonistas dos casos de violência doméstica. Em que pese as mudanças decorrentes da Lei Maria da Penha, ainda assim as mulheres continuam morrendo em decorrência das agressões praticadas por seus maridos, namorados, companheiros. Vítimas do machismo arraigado que ainda é predominante mesmo em pleno século XXI, o sentimento de posse que dá direito sobre a vida do outro. E depois da vida ceifada, o agressor justifica: matou por amor. É bem verdade que cada vez mais as mulheres estão denunciando seus agressores, querendo pôr um fim a uma vida de maus-tratos e humilhações. Mesmo assim ainda existem barreiras a serem vencidas. É necessário que o Judiciário processe os casos com mais celeridade, e é preciso vencer também o machismo e preconceito entre delegados e juízes, que tendem a classificar a violência contra a mulher como um assunto de foro íntimo, relegado a um segundo plano diante de outras questões, seguindo o velho jargão: em briga de marido e mulher não se mete a colher. É preciso mudar essa cultura machista, que faz com que sociedade encare a vítima como culpada, como se merecesse ser agredida. E os casos são registrados em todas as esferas sociais. Violência que não escolhe idade, cor, raça ou classe social. Reitero aqui mais uma vez o que tenho dito quando o assunto em questão é a mulher e a sua posição na sociedade. Avançamos, é verdade, mas ainda não chegamos nem na metade do caminho. Temos muito a conquistar. Queremos e merecemos mais respeito e mais direitos! TÂNIA NARA MELO é editora de Opinião do Diário