ARTIGO
Segunda-feira, 30 de Janeiro de 2006, 21h:10
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ALECY ALVES
Mulheres no caminho do poder
É muito bom vermos estampado nos meios de comunicação a busca incessante de lideranças políticas partidárias pela formação de parceria com mulheres, na tentativa de chegar ou se manter no poder na administração pública. Melhor ainda, é acompanharmos a chegada das mulheres a esses cargos. Essa é uma maneira de mostrar à sociedade que, independente de sexo, o ser humano tem habilidades e é igualmente competente. Somente este ano, três mulheres conquistaram os mais altos cargos em diferentes pontos do planeta. Primeiro na Alemanha, logo depois no Chile, e, mais recentemente na Libéria, onde se tornaram primeira ministra e presidentas, respectivamente. Esses, sim, são sinais de evolução humana, de aceitação da mulher como cidadã com direitos e obrigações iguais. Não nascemos somente para sermos mãe, dona de casa, esposa, irmã, tia e avó, como muitos ainda nos vêem. Mas enquanto nos alegramos com essa luta e as conquistas diárias, nos indignamos com os horrores que, lamentavelmente, as mulheres ainda vivem em algumas comunidades. E olha que não estou abordando a violência doméstica cotidiana que vitima uma mulher a cada 15 minutos no Brasil, mas as atrocidades aplicadas como castigo em tribos paquistanesas e outros grupos étnicos do Oriente Médio e África. Que humanidade é essa, que pratica o estupro coletivo de mulheres como punição por erro que alguém da família dela praticou? Ou que mutila sexualmente jovens somente para impedi-las que na idade adulta venham a sentir prazer proporcionado pelo ato sexual? E o que pensar de alguém que, se aproveitando da superioridade física, decide se impor pelo uso da violência? Que em nome do amor agride física e moralmente a companheira, tirando dos próprios filhos o direito de ter a companhia da mãe? Acho que ainda não amadureci espiritualmente o suficiente(e nem quero) para perdoar quem comete esse tipo de atrocidade. Aqui, felizmente, lutamos pelo cumprimento de leis e punição da violência. Árdua mesma é a luta da paquistanesa Mukhtar Mai, que ganhou notoriedade internacional correndo o mundo para denunciar e tentar acabar com o estupro coletivo, uma forma de violência que ela sofreu porque seu irmão, de 12 anos, se interessou por um garota de casta superior a dele. ALECY ALVES é jornalista