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Cuiabá MT, Quinta-feira, 18 de Junho de 2026

ARTIGO
Sábado, 21 de Março de 2009, 14h:16

MÁRIO MARQUES DE ALMEIDA

Mudei de foco

Já tinha escrito o artigo para este domingo e que focava sobre a inutilidade de ser mantida, às custas do dinheiro do povo, uma Câmara de Vereadores nos moldes como funciona a de Cuiabá. Mudei de assunto e escrevo, agora, sobre outro tema, até porque abordar escândalos no Poder Legislativo municipal já virou rotina, e das chatas. Além de que, insistir nessa “malhação” pode contribuir - quero crer - para transformar a Câmara em bode-expiatório de tantas outras mazelas, inclusive piores (porque envolvendo valores mais altos) e que acontecem em instâncias mais elevadas de outros Poderes. A Câmara cuiabana não pode ficar isolada nesse contexto de podridão, como se fosse a única a cometer desmandos. Ao meu modesto ver, também bater nessa tecla não vai mudar mesmo o comportamento da maioria dos que têm assento naquele Poder, isto sem falar que muitos dos que ali estão “representando” o povo sequer se dedicam à leitura deste ou de outros artigos de opinião. Portanto, conclui que, com esse tipo de abordagem, estaria “chovendo no molhado”. Daí haver mudado de foco e ter colocado na “geladeira” as mais de 40 linhas, fora o tempo que desperdicei concatenando as idéias e juntando as palavras para reverberar a indignação contra os desmandos que ocorrem, e vindo de outras gestões e legislaturas, naquela Casa que gosta de se intitular de Leis. Feito o reparo, passo adiante. Falo agora da morte anunciada das instituições previdenciárias, municipais, estaduais e nacional. Não só no Brasil, mas em países bem mais desenvolvidos econômica e socialmente e com cultura de maior zelo pelo dinheiro dos contribuintes. No caso dessas nações (nas quais, via de regra, ao contrário do que ocorre por aqui com bastante freqüência, os recursos previdenciários não escoam pelo “ralo” da corrupção e da incompetência), a previsão de esgotamento dos recursos em caixa das organizações previdenciárias para pagar todos que se aposentam, oscila em prazos que variam de 20 a 50 anos. E se deve ao fato de que o número de aposentados vem crescendo ano após ano, como acontece na Europa – um Continente de idosos. Com o envelhecimento crescente da população européia, por exemplo, acontece o fenômeno de diminuir, também gradativamente, o contingente de jovens aptos a trabalhar e constituir a massa contributiva dos cofres previdenciários. Ou seja, entra menos dinheiro e, cada vez mais, aumentam os gastos previdenciários com saúde, além de salários. E prever quando e com qual impacto social essa “bomba” vai explodir, é preocupação que esquenta a cabeça de governantes e especialistas na matéria, mundo afora. No caso brasileiro, como todos sabem, uma sucessão de escândalos de todo tipo vem abalando o INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social) que tem sofrido “sangrias” e desvios de seus recursos, quer seja por roubalheira, pura e simples, ou por negligência, erros e equívocos de ordem política e administrativa. A esses fatores, soma-se também o fato de que a população brasileira, nos últimos 30 anos, tem acompanhado a tendência mundial de envelhecimento. A exemplo da Europa, dos Estados Unidos, do Canadá e do Japão, entre outras nações ricas e poderosas, estamos nos tornando um país de velhos. Com uma diferença: lá estão planejando desde agora, com visão de longo prazo, o que fazer para manter o sistema operante e a salvo da falência. Enquanto que por estas bandas, a preocupação maior é de diligentes membros do Ministério Público Federal e da Polícia Federal, ocupados em investigar e reprimir as muitas fraudes que, cotidianamente, são armadas para surrupiar dinheiro do INSS. Estancar esse sorvedouro que consome anualmente bilhões em contribuições trabalhistas não é tarefa fácil, mas já é muito em termos de tentar preservar recursos daqueles que, na velhice ou em aposentadorias por invalidez, em muitos casos, para garantir sua sobrevivência, vão depender da Previdência brasileira. Se ela falir, eles morrem com ela. MÁRIO MARQUES DE ALMEIDA é diretor do site e jornal Página Única

Edição EDIÇÃO 16964




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