ARTIGO
Terça-feira, 26 de Julho de 2016, 19h:35
A
A
ENOCK CAVALCANTI
Mauro e Renato, os primeiros
No sábado, 23, despontaram os primeiros candidatos à prefeitura de Cuiabá. O procurador Mauro Lara, pelo Psol, e Renato Santana, pela Rede Sustentabilidade. Dois candidatos escolhidos por partidos pequenos, em convenções pequenas, mas que alardeiam grandes sonhos. O procurador Mauro fala em transformar a política de Mato Grosso confiando em um possível e surpreendente apoio popular com o qual conseguiria derrotar as ricas campanhas de candidatos como Mauro Mendes, que disputará a reeleição. O procurador, que teve mais de 80 mil votos para federal em 2014, acredita que, depois de tantas tentativas, chegou a hora dele. A convenção do Psol, realizada na oca da Adufmat, todavia, reuniu pouco mais de 50 pessoas. Pouca gente. Tanto que, na convenção da Rede, uma das dirigentes da representação local do partido da Marina comemorou: Com menos de um ano de legalização, já temos, em nossa convenção, mais gente do que na do Psol, que é um partido bem mais velho. Segundo ela, 88 pessoas passaram pela convenção da Rede. O discurso do procurador é basicamente de desnudamento das promessas não-cumpridas por Mauro Mendes. Ele e seus candidatos a vereadores acreditam no tal carisma que a candidatura do Psol teria granjeado, ao longo dos anos, com essa sua mania de atuar isolado. E dizendo confiar no povo, anunciam que vão governar com o povo, sem se preocupar em articular coligações com outras administrações, mesmo sabendo que perdem, desta forma, condições de melhorar o tempo de veiculação de sua propaganda partidária via TV. Mas que povo será esse com que o Psol tanto conta? Na Rede, o que se comemora é o fato do partido estar vivo. O pessoal repete um pouco o discurso do Psol de autorreferência, como se bastasse existir para ser diferente. O historiador Renato Santana e seus parceiros de convenção insistiram o tempo inteiro na hipótese de que estão trazendo para a política de Mato Grosso uma renovação que passa por uma campanha sustentada pela militância, no boca a boca, sem preocupação de correr atrás do dinheiro que, rotineiramente, tem sustentado a campanha dos partidos maiores. Também dizem que o programa para o governo que pretendem implementar será construído durante a caminhada eleitoral pelos bairros. Quer dizer, começam a campanha agarrado apenas em pretensas boas intenções. Será que vão longe? Tanto o Mauro como o Renato não estão certos de que terão direito a participar dos debates eleitorais. Participar destes debates, para eles, que terão tempo reduzido no horário de propaganda obrigatória, seria fundamental para serem melhor enxergados pelo grosso da população, a tal massona que acaba indo atrás do marketing político mais impactante. Enquanto Mauro assume abertamente o discurso de esquerda, Renato diz que seu partido não é de esquerda, nem direita. Pois é, a campanha servirá, pelo menos, para nos mostrar o que será, de fato, a Rede. ENOCK CAVALCANTI, jornalista, é editor de Cultura do Diário de Cuiabá