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ARTIGO
Quarta-feira, 19 de Maio de 2010, 21h:07

PAULO HAYASHI JR.

Marionetes da fortuna?

Uma das apreciações antigas da idéia da vida humana consistia em depositar nas mãos da Deusa da fortuna a sorte dos Homens, cujos movimentos de ganhos e perdas, felicidade e dor eram independentes da vontade e das ações dos Homens. Uma visão simples, talvez a mais acessível numa civilização primitiva, todavia não mais compatível com o presente amadurecimento da Humanidade. O problema desta visão determinística é a inutilidade da vontade humana de lutar contra seu destino, tornando o homem um simples joguete das forças do desconhecido, incapaz de alterar sua situação, bem como de colher aquilo que não foi, necessariamente, semeado por ele. Ora, parece ser bem incongruente, pois assim o livre arbítrio e a responsabilidade do Homem estão ameaçados, bem como a justiça divina. Como acreditar num Deus justo com a roda da fortuna girando a esmos? Como alterar o destino sem a vontade de Deus? Mas, será que não é mais lógico e correto adotar a postura de que nada acontece por acaso e que cada um é premiado ou punido conforme as próprias obras? Como disse Einstein “Deus não joga dados com o Universo” e o acaso não acontece por acaso. Tudo tem uma razão de ser! Assim, o destino é feito pelos próprios Homens, pois se existe livre arbítrio, também existe o peso da responsabilidade e de sofrer as conseqüências. Ou seja, tal como na metáfora do jardineiro, o Homem sempre vai colher as frutas conforme as sementes lançadas por ele mesmo através de suas ações, pensamentos e vontade. Plantando-se boas sementes haverá bons frutos e flores doces de luz que são agradáveis a todos. Caso plante espinhos, haverá a colheita indesejável, mas obrigatória de sofrimento e dor. Com isso, o livre arbítrio é estimulado ao progresso e ao uso racional, pois quem erra nas decisões e no uso de suas forças será punido, enquanto aqueles que acertam serão recompensados. Desta forma, podemos alterar até a forma de pensar e ver o sofrimento e a dor. Não mais como punição injusta dos deuses, mas uma forma rigorosa de reeducação para que possamos refletir e corrigir, aprender e trabalhar para aperfeiçoar cada vez mais o uso racional do livre arbítrio e dos recursos de que dispomos para a busca de nossa paz interior e felicidade. Além disso, podemos pensar a vida como uma grande bola de neve, onde as pessoas que acertam costumam ser recompensadas e terão cada vez mais e os que erram, culpando indevidamente o destino ao invés de aceitar seus próprios erros, tendem a ter cada vez menos felicidade até aprender a lição (como vimos pela dor). Ora, não estaríamos assim diante da parábola dos talentos do mestre Nazareno? “Porque a qualquer que tiver será dado, e terá em abundância; mas ao que não tiver até o que tem ser-lhe-á tirado” (Mateus 25, 29). Portanto, plantemos no presente as sementes da caridade, do respeito e amor ao próximo, pois é a certeza de senhorio augusto de nosso destino. * PAULO HAYASHI JR., Doutorando em Administração pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) [email protected]

Edição EDIÇÃO 16964




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