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Cuiabá MT, Quinta-feira, 11 de Junho de 2026

ARTIGO
Segunda-feira, 04 de Dezembro de 2006, 20h:22

LORENZO FALCÃO

Manoel, Wlademir e eu

Jornalista tem mais fama e acesso às coisas boas da vida, do que dinheiro propriamente dito. Pelo menos os que atuam de forma mais ética e não são venais, costumam espernear diante das adversidades financeiras da vida. Trabalhar bastante é o que sobra para manter um padrão de vida razoável, que seja. Por causa dessa situação, digamos dúbia, é correto dizer que ‘a gente trabalha, mas se diverte’. Conhecer de perto, conversar, e trocar idéias com grandes artistas é a maior de todas as riquezas que a profissão tem me oferecido. Travar uma certa ‘amizade’ com essas celebridades culturais, relacionar-se com os ídolos, talvez, seja a maior vantagem da profissão, segundo a minha humilde opinião. E são inúmeras histórias que teria para contar em relação aos meus conhecimentos e convivências com os grandes artistas. Fatos que não caberiam, na maioria das vezes, numa reportagem. Um amigo, também jornalista, me sugeriu que escrevesse sobre essas situações. Pois não! Ano passado, durante a realização da primeira edição da Literamérica, praticamente colecionei fatos pitorescos. Eu era responsável pelos cuidados especiais para com os homenageados da Feira, os célebres escritores Ricardo Dicke, Manoel de Barros e Wlademir Dias-Pino. Mesmo já tendo conhecimento com os três e inclusive sendo muito amigo de dois deles (Dicke e Dias-Pino), fiquei nervoso com o peso dessa responsabilidade. Mas foi só até acontecer o mais inusitado de todos os encontros da Literamérica: Manoel de Barros e Wlademir Dias Pino. Eu estava com Wlademir no saguão do Hotel Paiaguás. Ele havia chegado na noite anterior e conversávamos descontraidamente sobre sei lá o que, e eis que chega um micro-ônibus com novos convidados da Feira, entre eles, Manoel de Barros. Pedi licença pro Wlademir e me aproximei rapidamente do Poeta Pantaneiro, me apresentando (imaginei que ele não ia se lembrar de mim) e dizendo que estaria acompanhando-o nos próximos dias. O poeta mostrou-se satisfeito e nos pusemos a falar de banalidades, com o Wlademir nos observando de perto. Eu meio incomodado, louco pra aproximar os dois. Mas, inesperadamente e antes que isso acontecesse, eis que o Nequinho (como é carinhosamente chamado pelos mais íntimos, Manoel de Barros), de supetão, me sai com esta pergunta: “Lorenzo, esse outro homenageado, o Wlademir Dias Pino, já morreu, né???”. A situação foi cômica e delicada ao mesmo. Acho que procedi da melhor maneira, respondendo e levando Manoel em direção a Wlademir: “Não poeta... morreu nada, olha ele aqui”. LORENZO FALCÃO é editor do Ilustrado do Diário

Edição EDIÇÃO 16959




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