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ARTIGO
Segunda-feira, 04 de Junho de 2007, 19h:54

JULIANA SCARDUA

Mais uma vez, Mato Grosso

Mato Grosso começa a semana estampando um novo escândalo nacional: a Operação Xeque-Mate, deflagrada ontem pela Polícia Federal (PF). A ação que visa combater uma rede de crime de contrabando, corrupção e tráfico de drogas se soma à série de operações que colocam nosso Estado, como ator principal ou coadjuvante, no centro do crime organizado no país. As “trágicas coincidências” neste novo episódio ainda relembram a população local de algo que durante décadas pouco incomodava: a “máfia dos caça-níqueis”. Segundo a PF, comumente criativa ao apregoar nomes a suas operações, o novo rótulo desponta como um “duro golpe” às quadrilhas que exploram o jogo ilegal no país. Em paralelo, outra meta é o combate à corrupção de policiais que respaldam nos meandros do crime esse tipo de prática. A magnitude da nova operação envolveu 600 policiais federais para o cumprimento de mandados de prisão temporária e de busca e apreensão em seis Estados: além de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Paraná, Rondônia e Minas Gerais. Mas a julgar por apreensões recentes de máquinas de caça-níquel em vários pontos do país, a extensão dessas quadrilhas é muito maior do que se possa imaginar, especializadas num negócio milionário que se move no reverso da lei. Por outro lado, se deixarmos o ceticismo um pouco à parte, é preciso reconhecer que o trabalho da PF avançou na repressão desse tipo de crime e uma outra série deles que encontram campo farto e secular em Mato Grosso e no Brasil. Ponto para nosso presidente Lula, com sua já velha metáfora do “Nunca antes na história do Brasil”, enfadonha aos ouvidos da imprensa e analistas. Esse quadro em que o ceticismo e a indignação se contrapõem à grande expectativa de uma “faxina” na sociedade do medo pode ser visto com clareza em Mato Grosso. Escândalos como o desvio de dinheiro público desbaratado na Operação Navalha dominam o debate na sociedade nos últimos dias, seja no mais humilde lar ou entre lideranças que tomam frente às críticas. Entre os desdobramentos desse sentimento de revolta, entidades civis organizadas em Mato Grosso encabeçaram manifesto contra a corrupção no Estado e no país. Particularmente, o documento chama a atenção ao bombardeio diário de notícias cujo foco são escândalos envolvendo Mato Grosso. “Constatamos que o Brasil está refém do banditismo, já que as diversas formas de corrupção atingem todas as esferas de poder”, destaca o documento. É preciso observar, curioso ou não, que o desgaste que se implanta no imaginário da população local se sobrepõe à própria idéia de “moralização” com a seqüência de prisões e apreensões no Estado. “Mais uma vez, Mato Grosso”, é a expressão que muitos lançam mão. Quiséramos todos não usá-la. JULIANA SCARDUA é jornalista

Edição EDIÇÃO 16959




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