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ARTIGO
Segunda-feira, 23 de Julho de 2007, 20h:21

TÂNIA NARA MELO

Mais respeito

A notícia foi publicada recentemente nos jornais. Nem teve muito destaque, mas me chamou a atenção. Uma feminista iraniana, culpada por ter participado no ano passado de uma manifestação pacífica pela abolição das leis discriminatórias contra as mulheres existentes em seu país, foi condenada a 2 anos e 10 meses de prisão e a receber dez chicotadas. A mulher em questão é uma jovem de 24 anos que, junto com outras mulheres, protestava contra o fato de que em seu país as mulheres só têm direito a receber metade da parte da herança dos irmãos homens, que sua vida vale apenas a metade do valor de um homem nos casos de ressarcimento por acidentes mortais, e ainda que em um tribunal o testemunho de uma mulher vale metade do testemunho de um homem. Assim como ela, muitas outras também foram presas por seu ato de rebeldia e condenadas com penas de até quatro anos de reclusão. Em pleno século XXI, quando as mulheres comemoram inúmeras conquistas e cada vez mais mostram que são capazes de enfrentar qualquer desafio, e que já vai longe o tempo em que se resignavam em ser meras espectadoras e ser chamadas de cidadãs de 2ª categoria, lamentavelmente ainda encontramos países cujas leis lhes garantem apenas deveres e nenhum direito. Assim como a jovem iraniana condenada à prisão e a levar dez chicotadas, outras mulheres também sofrem discriminações em seus países onde são confinadas em seus lares e sequer podem sair às ruas sem a companhia do marido, pai ou irmão. Há casos em que elas nem ao menos podem manifestar contentamento de forma mais expansiva, ou ainda fazer barulho ao caminhar. Tudo é muito rigoroso, as leis devem ser cumpridas à risca. Para nós, que temos uma realidade diferente, tudo isso soa muito estranho, causa indignação. Mas uma análise mais aprofundada nos faz lembrar que por aqui, embora as leis concedam às mulheres mais direitos, também registramos muitos casos de desrespeito a esses direitos. Basta lembrar que no nosso mercado de trabalho as mulheres têm um nível de escolaridade superior ao dos homens, mas recebem apenas 70% do salário masculino. Sem contar que boa parte delas cumpre dupla jornada de trabalho, já que as tarefas domésticas e a educação dos filhos são incumbências que sociedade lhes delega naturalmente, quer queiram, quer não. E não podemos nos esquecer dos inúmeros casos de violência doméstica, que não são poucos. As estatísticas, aliás, revelam que nada menos que dois milhões de mulheres por ano sofrem com as agressões de seus maridos ou namorados. O quadro não parece ser nada animador. Diante disso, fica a pergunta: quando de fato os direitos das mulheres serão respeitados? TÂNIA NARA MELO é jornalista

Edição EDIÇÃO 16969




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