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Cuiabá MT, Sexta-feira, 12 de Junho de 2026

ARTIGO
Sábado, 09 de Junho de 2007, 14h:03

ADRIANA NASCIMENTO

Luz, câmera, MT em ação

Esta semana, questionada por duas estudantes sobre o que acho que mudou no cenário cultural do Estado desde que comecei a me embrenhar em jornalismo cultural, cheguei à conclusão de que em dois anos, tempo em que estou nesta área, é incrível como a qualidade (e a quantidade de opções) para o público cresceu. Pipocam festivais de música, dança, cinema! Mas chamo atenção, sobretudo para esta última vertente, que ganhou salas e públicos nos mais diversos lugares (Museu da Imagem e do Som de Cuiabá, Espaço Vitória no bairro Jardim Vitória, UFMT e interior do Estado). Credito o sucesso de público desses eventos ao anseio que o público mato-grossense tinha em, um dia, poder fugir dos altos preços dos cinemas, que ficam dentro de shoppings e, ao contrário dos antigos Cine Bandeirantes e Cine-Teatro, que ficavam no Centro da cidade, democratizavam mais a ida de toda classe de público e, por isso, não constrangiam quem os freqüentava. Digo constrangimento porque vi isso acontecer de perto. Há quase dois anos fui pautada para levar três adolescentes da periferia, que nunca tinham entrado numa sala de cinema, para ver um filme e colher suas impressões. Os olhos delas brilharam diante da telona e os comentários foram entusiasmados. Só quando perguntadas sobre o por que de nunca terem ido a um passeio tão comum é que seus olhos murcharam e a unanimidade veio na resposta: por constrangimento. “As pessoas ficam nos olhando de forma esquisita só porque não estamos tão arrumadas quanto elas”, dizia uma delas. Mas ainda bem que o tempo passou. E o público menos favorecido (e também os que querem ver na tela filmes nacionais e estaduais) ganhou diversos festivais de presente. Só nesse biênio tivemos e vamos ter, além do Festival de Cinema e Vídeo de Cuiabá, outras ramificações surgiram como o Festival de Cinema da Floresta em Alta Floresta, o Guará de Cinema Ambiental, e, estreando, mesmo que timidamente, o futuro Festival Infantil de Cinema, que ocorreu dentro do Guará. Enfim, boas notícias surgem no cenário audiovisual. Restam agora mais idéias e a busca por financiamento dentro e também fora do Estado para, quem sabe um dia. Possamos concorrer mais incisivamente em festivais de todo o país. Mato Grosso tem muita estória para contar com seu movimento Hip Hop, seu rock que ganha prêmios, seu teatro que faz bonito nos principais festivais do país, sua literatura em prosa e verso que adentra ao universo on line, seu siriri elétrico, seu cururu renovado. Tem futuro e tem passado suficientes para serem mostrados nas telas. Basta acreditar e continuar no caminho da busca. O público agradece que o show não termine! ADRIANA NASCIMENTO é jornalista

Edição EDIÇÃO 16961




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