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Cuiabá MT, Quinta-feira, 18 de Junho de 2026

ARTIGO
Sábado, 23 de Agosto de 2014, 13h:21

BENEDITO PEDRO DORILEO

Lamúria e civismo

Na última Copa do Mundo, ufanista pelo próprio nome, o brasileiro viveu dias lúdicos e emocionantes, pois pela segunda vez acolhemos os esportistas de diversos países; recebemos bem nas doze sedes, tal como se viu em Cuiabá. O assunto da desclassificação no dia 8 de julho, inacreditável pelo placar dilatado, bem como a decisão final entre Continentes já compõem a crônica do passado, deixando, contudo, severas lições. Se faltou técnica em campo, houve exagero do fútil desgracioso e da lamúria. Jeremias soltou os lamentos, o enfado. A choradeira ocorreu com a reclamação de desconforto pela variação climática: calor em Cuiabá de 30ºC, Manaus com 27ºC (calor e umidade). Percebe-se a ausência de brasilidade nas reportagens referentes às cidades em hora desperdiçada do tirar proveito positivo: Cuiabá, centro-geodésico da América do Sul, zona de transição entre 3 importantes biomas, o cerrado mato-grossense produzindo grãos, alimento em abundância. Manaus plantada na maior bacia de água doce do planeta, histórica capital da borracha, que exportou para o mundo. Guarda com a Amazônia o maior verde, o pulmão da humanidade. Contrariamente, prevaleceu o chulismo. Se Cuiabá padece com a baixa altitude, no entanto goza das frentes frias, fenômeno não registrado no norte e nordeste; além das regulares precipitações pluviais. Mas, o calor cuiabano também faz bem. Temos contra a capital cuiabana o horror elegante do noticiário nacional, insistentemente com as máximas da temperatura, a prestar desserviço à nossa economia. Exemplo: tantos foram os voos fretados para chegadas e saídas imediatas, após as disputas em Cuiabá. E não percamos tempo com asnices, como: “estamos em Cuiabá, Mato Grosso do Sul”. Qual calor em Cuiabá para chilenos, sofredores de terremoto, povo simpático não preocupado com o termômetro. Faltaram pitadas de informações e mais cultura. Consiste outra abordagem em observar que, desde os primórdios da humanidade, jogos e competições foram estabelecidos como uma espécie de necessidade para medir forças, salientando as olimpíadas gregas: criativas, benfazejas e artísticas. A pretensão era a de vencer sem prejudicar ou destruir o adversário; isto é, um prazer verdadeiro. As guerras, em contrário, nunca deixaram ou deixam de mostrar o perfil cruel do homem. No futebol, por semelhança, torcidas organizadas com exortação belicosa cometem violências, que chegam ao crime. Em dado momento, o esportista torna-se um guerreiro, ademais insuflado pelo canto do Hino, prorrogado a cappella, e sob os impulsos dos gritos de “eu sou brasileiro”, com bandeira desfraldada. Seja como for, houve ato cívico. Na Semana da Pátria, que se aproxima, não se acredita na mesma prática do civismo, com o 7 de setembro, pois pouco se educa na família e na escola. Diz-se hipocritamente que patriotismo é coisa de ditadura, porém a sociedade se esmaga diariamente com as desgraças que a juventude pratica e sofre – o professor é a rede social da crescente comunicação, entulhada permanentemente de insinuações maldosas. A Civilidade foi expulsa da grade curricular dos colégios, cedendo espaço à alienação e à criminalidade. O calendário anual de protestos, tal como o direito de greve, tornou-se farto, temos datas adjetivadas e reservadas para as mais diversas manifestações. Exemplo: dia 12 de agosto – Dia Nacional das Artes, Internacional da Juventude, Nacional de Luta contra Violência no Campo e por Reforma Agrária. Ação contraproducente é o aproveitamento do Dia da Pátria – em hora de gáudio pela conquista da nação, que se fez país pela independência, ao deixar de ser colônia portuguesa – para repetir as mesmas bandeiras sociais ou políticas. Afinal, temos paz, não estamos em lutas constantes como no Oriente Médio ou na Ucrânia. Verdade é que, desde a proclamação às margens do Ipiranga em 1822, jamais sofremos submissão a outro país, o povo é livre neste país-continente que aspira a trabalho honesto e valoriza a sua soberania, com direito assegurado de confraternização, sem tensões dos protestos neste evento. Tem-se ouvido que as famílias estão-se afastando temerosas dos festejos cívicos. Que haja o restabelecimento da beleza, do perfume e da pureza dos desfiles e demais celebrações do Dia da Pátria. Que, além do estádio de futebol, cante-se o Hino Nacional, hasteie-se a Bandeira do Brasil. Vamos rever o óleo cívico de Pedro Américo, imagem inspiradora da nossa história e da nossa liberdade. * BENEDITO PEDRO DORILEO é advogado e foi reitor de UFMT

Edição EDIÇÃO 16965




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