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ARTIGO
Quinta-feira, 22 de Setembro de 2011, 09h:22

ENILDES CORRÊA

Jovens e sábios anciãos

Parece que esta sociedade não permite o envelhecimento natural de sua gente. Até o artista que envelhece é discriminado, muitas vezes, deixado de lado, como se envelhecer fosse um grave defeito e fizesse diminuir a inteligência e a criatividade dos indivíduos. E ao descobrir a sabedoria e os talentos que o passar dos anos pode dar e revelar, considero um tremendo desperdício e, por que não dizer, um ato de ignorância que o mundo ocidental comete ao desprezar e deixar de lado os mais velhos. Reconheço e valorizo os anciãos. Tenho a abertura, a disposição e a sede de ouvi-los atentamente, pois é uma das formas de adquirir entendimento da vida. Admiro e sinto um carinho especial pelos que souberam viver com sabedoria e relaxamento. E mesmo os que envelheceram carregando as tensões e o peso do tempo passado nas costas, também servem de exemplo se procurarmos compreender o que os impediu de viver com tranquilidade e harmonia. Constatei certas características comuns entre as pessoas que conseguiram relaxar, mesmo com todos os problemas que tiveram de enfrentar e lidar. Aceitam e amam a vida. Mantêm uma confiança inabalável na Existência e em si mesmas. Conservam-se lúcidas mentalmente e muito joviais. Enxergam a realidade como ela é, porém não reclamam, mesmo se sofrem. Apreciam compartilhar sua sabedoria e sua amizade. Adotam a postura de estudante, sempre abertas para aprender, mesmo aos 80 anos ou mais. Evitam julgar os outros. Aprenderam a ouvir e a respeitar a voz do coração. Irradiam paz, tranquilidade e contentamento, o que nos faz sentir um grande bem estar ao lado delas. Vivem de forma simples e comum. Não carregam nenhum desejo de ser diferentes de quem são nem tampouco de serem extraordinárias. Aprenderam a se aceitar do jeito que são; ficaram a vontade com seu corpo e com seu ser. Deixaram de brigar consigo mesmas e com a vida – simplesmente são o que são e fluem nisso. E mantêm sempre o bom humor. É uma pena que no Ocidente, atualmente, os jovens não são ensinados de forma efetiva a respeitar e a valorizar os mais velhos e a sua orientação. Quantas experiências muitos deles gostariam de partilhar... Mas, sem interesse em ouvi-los, oportunidades de aprendizado são desprezadas e, literalmente, jogadas fora. Valiosas lições sobre a arte de viver, que poderiam ajudar a muitos a lidarem melhor com seus problemas, sem tanto estresse, desespero, sem tanta loucura... Agradeço a oportunidade de ter convivido com algumas pessoas que envelheceram com paz em seus corações, com harmonia e sabedoria, engajadas no presente, sem nostalgias em relação ao passado e sem ansiedade com o futuro. O passar do tempo foi uma ponte para cruzarem as fronteiras que vão além do corpo, além da mente, o que lhes permitiu adquirir coragem para abrir as asas e voar em direção ao infinito com total confiança. *BENEDITA ENILDES DE CAMPOS CORRÊA é Administradora, Terapeuta Corporal Ayurveda e Prof. de Yoga com formação e especialização na Índia. Ministra seminários vivenciais para organizações governamentais e privadas. Autora de Vida em Palavras – coletânea de crônicas. [email protected]

Edição EDIÇÃO 16959




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