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Cuiabá MT, Quinta-feira, 11 de Junho de 2026

ARTIGO
Terça-feira, 02 de Agosto de 2011, 20h:31

GABRIEL NOVIS NEVES

João Germano

As coisas por estas bandas andam tão confusas, que já tem gente contratando personal anticonfusão para viver, ou tentar sobreviver. Cuiabá é presença obrigatória, não só no noticiário regional, mas também no nacional. As grandes redes de televisão, jornais, rádios e internet, comentam e mostram imagens sobre o tratamento médico que o governo dispensa aos seus pacientes. O evento programado para Cuiabá em 2014 é mundial, e interessa muito aos países e torcedores que virão acompanhar dois ou três jogos, sorteados para cá. É importante para eles conhecer a cidade que os hospedarão, especialmente sobre as condições dos seus serviços médicos. Com essas imagens dos nossos hospitais correndo o mundo, acho difícil alguém vir de livre e espontânea vontade fazer turismo por aqui. Fontes fidedignas até admitem que essa campanha esteja sendo orquestrada pela FIFA, para diminuir de doze para oito as subsedes. É o que dizem. Estou totalmente afastado do poder, mas não perdi os meus principais órgãos sensitivos, que estão funcionando muito bem. Continuo enxergando, ouvindo, e não perdi a razão. Assisti nos últimos dias a um vídeo em que um dos diretores do canal de televisão especializado em esportes - ESPN - comentava a situação da saúde de Cuiabá. Tinha toda a razão o Trajano na sua revolta. Não dá para entender como uma cidade de 292 anos permitiu que a situação da saúde chegasse ao ponto em que chegou. Enquanto o povo sacrificado morre pelo chão do nosso Pronto Socorro, os nossos dirigentes estão construindo, sem nenhuma economia, a monstruosa e caríssima Arena Pantanal. O pior é que após os jogos da Copa, será transformada em mais um elefante branco. Futebol que é bom, há anos não se pratica por aqui. Não possuímos nenhum time participando do campeonato brasileiro, na primeira ou segunda divisão. Qualquer trabalhador em saúde sabe que o tempo útil de vida dos equipamentos de um hospital é, no máximo, de cinco anos. A sua estrutura física - de quinze anos. O nosso hospital Pronto-Socorro, nos últimos trinta anos, recebeu pequenas reformas, adaptações e puxadinhos provisórios, na sua vencida estrutura física. Idem com relação aos equipamentos. O agravante foi o número excessivo de pacientes que recebe, pois é um hospital de portas abertas. Cinquenta e quatro por cento dos pacientes que estão pelo chão do Pronto Socorro são do interior do Estado, onde saúde só é discutida em época de eleições. O Estádio de Futebol, contemporâneo do Pronto Socorro, foi implodido para a construção de um novo e moderno, não importando os custos. O único hospital de urgência e emergência que atende todo o Estado com os seus serviços de alta complexidade mereceu dos nossos governantes migalhas de recursos, para frágeis puxadinhos e placas de 're-reinaugurações'. É triste, mas é verdade - perdemos a nossa dignidade perante o mundo. Reverter essa situação, com a simples troca de gestão para uma Organização Social de Saúde (OSS), é o atestado de incompetência do governo, e a transferência de uma obrigação que, constitucionalmente, é do Estado. Os governos Federal, Estadual e Municipal reconheceram que foram os maiores culpados por essa calamidade da saúde, ao insistir no pagamento, durante anos, de uma mísera tabela do SUS, aos procedimentos médico-hospitalares. Agora que a vaca foi para o brejo, o mesmo governo estadual ex-durão, oferece às OSS o valor de três tabelas do SUS, para ficar como responsável pelo caos em que o governo Federal é sócio majoritário. O município de Cuiabá entregou de porteira fechada os cuidados da saúde pública ao Estado, que repassou às OSS. Essa insensibilidade oficial foi regada com a perda de preciosas vidas. O atual governo está muito confuso, com relação aos problemas herdados há mais de um ano na saúde pública. Demonstra, com o atual secretário, vontade de resolver os graves problemas encontrados no território arrasado. Fico com a leve impressão que nesse imbróglio todo, o governo está confundindo João Germano com gênero humano. *GABRIEL NOVIS NEVES

Edição EDIÇÃO 16959




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