No próximo dia 12 de setembro, Juscelino Kubitscheck - 20º Presidente do Brasil - completaria 112 anos. Passados 38 da sua trágica morte, ele continua vivo na memória dos brasileiros. Perdura forte em nossos corações, nos debates políticos, nas escolas, como aconteceu com Gabriela Cristina Cosme Sales, uma criança de apenas 13 anos, ao escrever uma carta maravilhosa (durante o 1º Festival Cultural JK, realizado no mês passado, em Diamantina (MG), onde ele nasceu), a ponto de emocionar Maria Estela Lemos Kubitscheck, 71 anos, filha de JK. Como faz falta em nossos dias: o grande estadista, o político dinâmico e modernizador, o idealizador de Brasília, que tantos benefícios trouxe à nossa região Centro-Oeste, à Cuiabá e ao interior do país. A sua rica história de vida o imortalizou! Vale a pena relembrar um dos destaques do seu governo, a chamada política desenvolvimentista, que fez o Brasil crescer e se desenvolver "50 anos em 5". O Plano ou Programa de Metas (31 metas) tinha como principal objetivo o desenvolvimento econômico do Brasil, que priorizou o investimento nos setores de transportes e energia, na indústria de base (bens de consumos duráveis e não duráveis), na substituição de importações, destacando o crescimento da indústria automobilística, e na Educação. Juscelino acreditava num mundo globalizado. Para ele, o progresso da economia seria impossível sem o capital estrangeiro. Mesmo que o país tivesse que se endividar, o que aconteceu. O binômio energia-transporte foi prioridade. Dentre as grandes obras, a construção da ponte da Amizade, ligando o Brasil ao Paraguai, as estradas para Belém, Belo Horizonte, Rio de Janeiro/Vitória; as usinas Hidrelétricas de Paulo Afonso no Rio São Francisco, de Furnas e Três Marias que tornou o país apto para receber a indústria automobilística. Com isso, ele construiu a FNM (Fábrica Nacional de Motores), iniciada com automóvel e caminhões. Implantou ainda indústrias de autopeças, indústrias de eletrodomésticos. Mas, apesar de priorizar o automóvel, ele não esqueceu da ferrovia. Criou a Rede Ferroviária Nacional e a Usiminas, em Ipatinga. Esbanjava talento, espírito público e humildade. JK sempre ressaltou a importância do Governo de Getulio Vargas no processo de consolidação do seu projeto, com a criação da Companhia Siderúrgica Nacional em Volta Redonda (1946) e da Petrobrás (1953). A sua maior obra, sem dúvida, foi o projeto de mudança da capital federal do Rio de Janeiro para o Planalto Central. Um sonho brasileiro desde o Ministro José Bonifácio (no Império) e constava na Constituinte do país em 1891, já durante a República. Brasília justificaria sua importância por ter provocado o deslocamento do eixo econômico-financeiro para o centro do país, levando o progresso ao interior do Brasil - que até aquele momento se resumia a faixa do litoral. O escritor Paulo Pinheiro Chagas usou uma expressão muito feliz ao se referir a JK: "O Contemporâneo do Futuro e Profeta do seu Destino", no seu livro "Esse Velho Vento de Aventuras". O jornalista carioca, Cláudio Bojunga, em seu livro "JK, O Artista do Impossível", diz: "Poucos homens fizeram tanto pelo Brasil, em tão pouco tempo, quanto Juscelino Kubitscheck". O dramaturgo Nelson Rodrigues dizia que "ele deu uma nova dimensão ao homem brasileiro". Tancredo Neves, disse que "ele foi um predestinado que soube cumprir com grandeza a sua missão. Ilustrou, enriqueceu e elevou a sua Pátria. Dignificou o povo. Prestigiou e fortaleceu as nossas instituições livres. Preservou e opulentou o patrimônio de nossos princípios sagrados. Sonhou, lutou e sofreu para reduzir entre nós a área dos miseráveis e apaziguar o espírito revoltado dos que têm fome e sede de justiça". No majestoso Memorial JK, em Brasília, podemos encontrar toda a sua história, com um enorme acervo histórico. Mas, é lamentável - uma omissão grave que em Belo Horizonte (onde foi prefeito) e Governador de Minas Gerais não tenha um espaço de referência da grandiosidade do político que ele foi. Infelizmente, o Brasil continua ignorando a sua história e de outros ilustres brasileiros. Grandes coisas fez JK. Mas, a maior de todas as coisas feitas pelo Presidente foram seus ideais, formados em vida, mas que permanecem perenes anos após sua morte. E nos dias de hoje, quem me dera se... todos fossem JK. *VICENTE VUOLO é cientista político e analista legislativo do Senado Federal
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