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Cuiabá MT, Segunda-feira, 15 de Junho de 2026

ARTIGO
Sábado, 22 de Março de 2008, 14h:11

MÁRIO M. DE ALMEIDA

Investiga ou cai fora

A bancada do PSDB no Senado foi a principal responsável (secundada pelo apoio tímido do DEM, ex-PFL) pela instalação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga desvio de verbas, quando não roubalheira mesmo, proveniente da utilização irregular dos cartões corporativos utilizados por funcionários graduados (e outros nem tanto) do governo federal. E provocou essa CPMI, informe-se, contra a vontade do Palácio do Planalto (presidente Lula à frente) e da esmagadora maioria dos parlamentares da base governista, tanto na Câmara como no Senado da República. Foi uma atitude que, à primeira vista, demonstra que o PSDB não teme ou não tem – pelo menos nessa questão – o chamado “rabo preso”. Isto porque o partido passou pelo governo federal, por oito longos anos com Fernando Henrique Cardoso na chefia da nação, e ao desencadear um processo político investigativo do porte de uma CPMI os tucanos, experientes que são no exercício do poder em nível federal, devem estar cientes dos riscos que correm. Entre os quais, em se tratando de política, o maior deles: O do “feitiço virar contra o feiticeiro”. Se o PSDB jogou para valer, cumprindo ao pé da letra a sua função de maior legenda na oposição ao PT e aliados, está na hora de mostrar essa intenção, indo fundo na apuração das fraudes eventualmente ocorridas pela utilização indevida desses cartões, seja com Lula ou com FHC, “cortando na própria carne” (para usar uma outra expressão tão a gosto do “politiquês”), se preciso for. Sob pena de, assim não fazendo, prosperar os comentários que, com relativa freqüência surgem aqui e acolá nas colunas da Imprensa, sobre um suposto “acordo de cavalheiros” firmado entre FHC que então saía, e Lula que entrava na Presidência da República, e pelo qual um seguraria o “rabo” do outro, a partir de quando quaisquer denúncias e investigações chegassem aos ditos cujos e respectivos familiares. A exemplo do que pode ocorrer exatamente agora com essa CPMI. Fazer esse tipo de observação, mais do que nunca, é pertinente, considerando o fato trazido pela última edição da revista Veja, que circula esta semana, estampando reportagem onde denuncia a existência de um suposto “dossiê”, montado pelos petistas no governo federal e cuja finalidade seria a de intimidar os parlamentares do PSDB, para que não passem de determinados limites nas apurações da CPMI. Ou seja, que se investigue tudo, menos os gastos efetuados pela Presidência da República, incluindo os familiares do presidente. A ter que curvar às alegadas chantagens ou dobrar as espinhas aos ditames de participar de uma CPMI de “faz-de-conta”, é preferível que os membros do PSDB que compõem essa Comissão, incluindo a sua presidente, a senadora Marisa Serrano, do PSDB do vizinho estado do Mato Grosso do Sul, em um ato de protesto, renunciem em bloco a essa pantomina. De cujo circo, caso o PSDB fique “peado” no aprofundamento das investigações e teime em participar da farsa, o partido estará tão-somente coonestando as eventuais fraudes cometidas pelos governantes, sejam atuais ou de um passado recente. Para uma legenda não acostumada aos duros e renhidos embates oposionistas (como fazia o PT, quando não era “laite” e nem governo), eis o dilema que ora enfrenta: Investiga de verdade ou cai fora. * MÁRIO MARQUES DE ALMEIDA é jornalista em Cuiabá

Edição EDIÇÃO 16962




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