ARTIGO
Terça-feira, 05 de Junho de 2007, 20h:35
A
A
LORENZO FALCÃO
Gostaria de estar errado
Ao me preparar para sair de casa ontem, como num estalo me veio à cabeça escolher as peças da minha indumentária. Ou melhor, a cor que deveria usar: cinza. Uma cor da qual sempre gostei, e também para fazer menção à data, o Cinco de Junho, Dia Mundial do Meio Ambiente. Não se trata de pessimismo e nem de ceticismo. Apenas lanço um olhar sem ingenuidade para a situação do planeta nestes tempos. Não sei exatamente há quantas décadas o assunto, a temática ambiental, chegou pra ficar no topo da mídia. E desde que ganhou essa visibilidade toda, tenho a impressão de que as questões ambientais só têm piorado. A degradação e a destruição do planeta evoluem a cada ano, apesar de mais e mais recursos serem anunciados para o setor, das legislações marcarem duro, das campanhas publicitárias alardearem e da própria tecnologia saltitar entre avanços e novas descobertas que muito poderiam ajudar no combate à destruição ambiental. Gostaria de entender a razão pela qual as coisas vão tão mal assim, ambientalmente falando. Pesquisa divulgada ontem, no dia D, registrava que há uma grande preocupação entre os jovens, principalmente, no que se refere às questões ambientais. Só que essa mesma pesquisa assinala que, em termos práticos, pouco ou quase nada eles têm feito, isto é, as ações dos donos do futuro, individualizadamente, não tendem para a sustentabilidade. Se você tem filhos adolescentes, por exemplo, repare o tempo que eles ficam no banheiro tomando banho, repare se fecham ou não a torneira da pia enquanto escovam os dentes. Digo isso porque já passou da hora de começar a economizar a água, talvez o mais precioso de todos os recursos naturais. Minha descrença para com essas práticas ambientais tem a ver com o radicalismo e a inoperância que costumam pautar a maior parte das iniciativas do setor. Sejam elas individuais, institucionais, coletivas... Lógico que há exceções, mas elas são poucas. De outro lado, e também bastante radicais, estão devastadores sistemáticos que são as grandes corporações, empresários e indústrias, cuja área de atuação agride com maior ou menor intensidade o meio ambiente. E até países, lógico. São aqueles que agem movidos pelo bererê, única e exclusivamente. Ninguém cede, ninguém faz concessões. Isso não vai dar certo e vai terminar mal. Muito mal! Países irresponsáveis como o Brasil e os EUA, entre muitos outros, seguem emitindo seus gases. Eu emiti a minha opinião. Gostaria de estar errado! LORENZO FALCÃO é editor do Ilustrado do Diário