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ARTIGO
Terça-feira, 22 de Junho de 2010, 20h:35

RENATO DE PAIVA PEREIRA

Galo de São Roque

Ao final deste texto vou contar uma piada rural antiga. Não era “de salão” na época, mas hoje, com os costumes totalmente alterados, talvez seja aceita sem reservas. Contudo, vou amenizá-la trocando alguns termos por outros mais suaves. Ainda assim, ficam antecipadas minhas desculpas por algum desconforto que possa causar em almas mais sensíveis. Também fica registrado meu medo deste texto cair nas mãos de minha filha. Por certo ela dirá: “depois de velho deu pra contar piada suja?” Antes da piada, o assunto. Personal está na moda, virou uma necessidade básica. Impossível não tê-los. Há os das academias, personal trainer; aqueles que nos ajudam a vestir, personal stylist; os que orientam a alimentação personal diet. Também precisamos de pessoas que passeiem com os nossos cachorrinhos, personal dog; os que organizam nossas gavetas, armários e roupas, personal house... etc, etc. Não sei se já existe o personal personal, que é o que orienta a contratação de personal. Cada um desses “profissionais” são especialistas em um assunto e eles também precisam dos outros personais para os assuntos que estão fora de sua especialidade. Muito cedo as crianças já vão criando a necessidade de ter os seus personais. Basta ver as festas de aniversários onde há um batalhão de contratados para cuidar da segurança e animação da criançada. As brincadeiras infantis naturais foram substituídas por outras conduzidas por adultos profissionais do ramo com suas trilhas sonoras apropriadas e seus indefectíveis equipamentos de segurança. Daí pra frente não se faz mais nada sem seus personais. Eles viram parte da vida das pessoas e ninguém mais consegue viver sem eles. Pra fazer ginástica precisa um, para caminhar outro. As velhotas levam os seus nas festas dançantes pra não correr o risco de ficarem a noite inteira sentadas por falta de pretendentes que queiram dançar com elas. Tem também, não se espantem, o ‘personal amigo’ que serve para acompanhar alguém sozinho ao cinema, teatro, ao médico e até para ouvir desabafos e lamentos. A piada: Um fazendeiro tinha um filho que já estava ficando para “Galo de São Roque” que é, como se chamava na época, o homem maduro ainda solteiro. Totalmente sem ação ou criatividade o rapaz, para desgosto do pai, não se iniciava na vida sexual. Um dia, o velho perdendo a paciência, resolve fazer as coisas do seu jeito: leva o rapaz à “zona” trazendo da fazenda um galo e um punhado de milho. Põe o dito, o moço não o galo, em posição de cópula (êta palavra feia) sobre a mulher e vai distribuindo pouco a pouco grãos de milho sobre a... a náde... vai bunda mesmo (essa não deu pra substituir), que o galo vai bicando compassadamente. A cada bicada o iniciando (essa também é horrível) faz um movimento para frente, criando o vai-e-vem característico que quase todo mundo conhece. Ao final, quando a natureza exige movimentos mais rápidos, como o pai mantivesse o mesmo ritmo de distribuição dos grãos e conseqüente intervalos nas bicadas do galo, o rapaz vai de agoniando e finalmente quase em transe grita desesperado: Põe mais mio pai! Creio que esse fazendeiro foi o primeiro personal da história: “personal fó..”, não, não, quase escapou, “sexy personal,” para ser um pouquinho menos deselegante. *RENATO DE PAIVA PEREIRA – empresário [email protected]

Edição EDIÇÃO 16965




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