ARTIGO
Segunda-feira, 21 de Fevereiro de 2011, 20h:15
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LORENZO FALCÃO
Frustração de jornalista
O último texto meu publicado neste espaço falava sobre o hábito da leitura que eu recuperei. E indicava um livro que estou lendo, Lobão 50 anos a mil (Editora Nova Fronteira), uma autobiografia do grande roqueiro. São quase seiscentas páginas, mas facílimo de ler. E prazeroso. Minha curtição em torno da obra é tanta, que fui além. Tentei uma entrevista com o artista. Entrevistas normalmente requerem uma preparação especial do jornalista. Mesmo que você esteja lendo um livro ou já o tenha terminado, é necessário sentar-se, preparar as perguntas estabelecendo uma provável sequência que será, ou não, mantida, conforme o conteúdo das respostas. O poeta Mário Quintana valorizava bastante as perguntas numa entrevista. Eu também. Elas sendo elaboradas, cuidadosas, buscando deixar o entrevistado à vontade e favorecendo uma boa leitura, da parte do leitor, tornam-se excelente objeto de leitura. E foi assim que procurei fazer com o Lobão. Depois de telefonemas e e-mails para sua assessoria pessoal e para a assessoria da Nova Fronteira, eis que consigo meu intento. Envio as perguntas por e-mail. Tinha na minha cabeça que o Lobão, do jeito que é falante, seria ideal uma conversa telefônica, por causa da sua espontaneidade. Mas pela assessoria fico sabendo que ele tem respondido muitas entrevistas pela web. Ok... Depois de remeter as questões, fico naquela relativa ansiedade. É sempre assim, pelo menos comigo. Sou um jornalista experiente, mas aqui do interiorzão. A possibilidade de entrevistar um artista de projeção nacional mexe comigo. A expectativa é grande. E assim fico. Quanto tempo será que ele vai demorar pra responder? Como serão suas respostas? Será que vai ficar legal? Dois dias após o envio das perguntas, abro meu e-mail e lá estão as respostas. Nervoso, abro o mail. Não foi desta vez... Pode ser que numa outra ocasião, eu consiga fazer uma entrevista bacana com o Lobão. Não nesta. Quando a gente entrevista um artista do estilo do Lobão, claro que há uma certa imprevisibilidade em relação às respostas. O problema é que elas ficaram demasiado curtinhas. Quase monossilábicas, totalmente ao avesso da verborragia que o grande lobo costuma praticar. Nem tudo que um jornalista faz, dá certo. Fico eu, então, chateado, mas resignado, porque ninguém é obrigado a responder uma entrevista. E fiquei assim meio encucado com essa história, optando por não publicar a entrevista. Mas ela existe. São coisas da vida. Desta vida minha de jornalista. E de ser humano. Normal. Pior do que isso, foi o Fluminense ter perdido na disputa de pênaltis para o Boa Vista. Mas vamos em frente... LORENZO FALCÃO é editor do DC Ilustrado e escreve neste espaço às terças-feiras