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Cuiabá MT, Quinta-feira, 11 de Junho de 2026

ARTIGO
Quinta-feira, 03 de Fevereiro de 2011, 20h:51

AIRTON REIS

Flauta fraterna

Música e poesia. Fé e fraternidade. Harmonia e humanidade. Voto de castidade rompido além de um momento em busca do prazer carnal. Pacto firmado entre o ilícito e o imoral. Flagrante em nada ocasional. Rebanho nas mãos de um pastor decaído em tentação. Ovelhas imoladas no cadafalso da ilusão. Mundo do cão bravio e sem coleira. Mundo da irmandade sem limite e sem fronteira. Mundo da hipocrisia sem porteira. Mundo dos calados por mais de uma ofensa em nada passageira. Mundo das múmias em sarcófago milenar. Mundo dos molestados de lar em lar. Mundo dos ordenados para o sacerdócio incondicional. Mundo dos combalidos em mais de uma batalha existencial em nada silenciosa. Mundo dos canteiros cultivados em verso e prosa. Mundo da rosa despetalada em mais de uma canção. Mundo da margarida em constante violação. Mundo da violeta nas cordas de um violão. Mundo da sarjeta insípida e sem refrão. Mundo do infante refém da insanidade. Mundo da fraude no berçário da sociedade. Mundo do frade disfarçado. Mundo do frade dissimulado. Mundo do frade investigado. Mundo do frade incoerente. Mundo do frade em desvio evidente. Mundo do frade enganador. Mundo do frade pecador. Mundo do frade sem qualquer montanha e sem nenhum sermão. Mundo do frade sem igreja e sem cristão. Mundo do frade sem confessionário e sem comunhão. Mundo do frade além de um boletim de ocorrência. Mundo do frade em advento profanado. Mundo do frade sem templo interior preservado. Flauta fraterna em mais de uma orquestra sem regente atuante. Flauta fraterna em mais de uma paróquia sem celebrante. Flauta fraterna nos lábios de quem aprende assoprar pela vocação incessante. Flauta fraterna nos corações de quem nos ensina o amor sem distinção. Flauta fraterna na partitura inspirada pelo dom divinal. Flauta fraterna ecoada de nota em nota musical. Indícios de uma mesma culpa procurada. Orifícios de uma mesma natureza desde outrora violada. Fragmento de uma fogueira acessa em chama incandescente. Fagulhas de uma conduta incoerente. Faltas inclementes que degradam e que dilaceram. Falha que separa e que se perpetua nos confins insanos de uma nova era. Folha de um Outono sem qualquer prenúncio de Primavera. Inverno sem Verão. “Programa” publicado em mais de um canal de televisão. Lavras de um vulcão devastador. Raios de uma tempestade causada pelo mesmo autor. Feridos e atingidos pela mesma dor. Flauta fraterna de um mundo recriado pelo Espírito consolador. Flauta fraterna de um rebanho conduzido pela providência do Criador. Eu toquei. Tu ouviste. Ele nos disse: “E o lamento da flauta sobrevive ao cintilar das estrelas”. Gibran Khalil Gibran. * AIRTON REIS é poeta em Cuiabá [email protected]

Edição EDIÇÃO 16959




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