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Cuiabá MT, Quarta-feira, 17 de Junho de 2026

ARTIGO
Sábado, 22 de Dezembro de 2007, 13h:39

GUSTAVO OLIVEIRA

Fim de ano

É só um ano que está terminando. Não é a vida! Portanto, pare de correr, desacelere, desestresse-se. Deixe para amanhã o que você não precisa fazer hoje. Vá com calma no trânsito, coma devagar, seja amável com as pessoas, ligue para alguém que gostaria de ouvir a sua voz, cante uma canção de amizade no telefone. Cante no chuveiro. Demore-se um pouco mais no banho, no vestir-se, no papo com o porteiro do edifício, no cafezinho com os amigos. É só dezembro. Não é o fim dos tempos. São estrelas de Natal essas luzes que brilham nas vitrinas e nas casas. São canções de paz esses sons que inundam as noites do nosso verão. São mensagens de amor esses cartões que decoram as paredes dos escritórios. Observe-as. Ouça-as. Leia-as. E medite sobre o valor da sua visão, da sua audição, da sua sorte em ter sido contemplado com um cérebro e com a capacidade de decifrar os signos da comunicação. É só um domingo. Não é o último dia da história da humanidade. Até o final do mês ainda dá para cometer uma generosidade. Dar um presente para alguém que não está de aniversário. Levar chocolate para casa. Fazer um afago no cachorro do vizinho. Distribuir abraços inesperados. Surpreender. Copiar um poema para um amigo (quem sabe até para um inimigo?). É apenas o dia 23. Não é o dia D, nem a hora H. Ignore o relógio, encontre um tempinho para brincar com seu filho. Pare para vê-lo jogar. O presente de Natal vai ficar velho, pode até quebrar. A lembrança da sua companhia e de cada gesto de carinho ficará para sempre. É tempo de parar, não de correr. As férias já esperam na primeira esquina do novo ano. Observe a natureza e perceberá que ela continua operando no ritmo de sempre. As árvores não florescem mais depressa porque é dezembro, nem os pássaros se atropelam porque o ano vai terminar. Na verdade, dezembro não é fim de nada. É apenas mais um casulo que o bicho-da-seda do tempo construiu lentamente. Dele vai sair a borboleta que cada um de nós imaginar. * GUSTAVO OLIVEIRA é diretor de Redação do Diário [email protected]

Edição EDIÇÃO 16964




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