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Cuiabá MT, Quarta-feira, 17 de Junho de 2026

ARTIGO
Sábado, 28 de Fevereiro de 2009, 13h:09

ONOFRE RIBEIRO

Exército chinês na nossa política

As eleições de 2010 que se aproximam, estão mostrando alguns fatos curiosos e inéditos. Entre eles, o absoluto empobrecimento dos quadros políticos capazes de comandar a política em Mato Grosso. Cito alguns nomes mais fortes da atualidade, para lançar uma reflexão sobre a afirmação “comandam a política em Mato Grosso”. Hoje, a liderança partidária mais eficiente é a do deputado estadual José Riva, presidente da Assembléia Legislativa, apesar de todas as controvérsias que pesam sobre ele. É o político mais organizado e mais articulado do estado. Além dele, o governador Blairo Maggi detém o governo, mas não interferiu direta e pesadamente sobre as formulações políticas e partidárias. Preferiu a gestão. Além dos dois, aparece o prefeito de Cuiabá, Wilson Santos, mas com um carma de alianças que o complicarão profundamente lá na frente. O seu aliado de peso mais próximo é o DEM, um partido experiente, mas pobre de líderes e muito desgastado pela forma de se relacionar com o poder. Wilson Santos pode ser a sua tábua de salvação. Por isso, tem que render muito ao partido. Por fim, resta Luiz Antonio Pagot, nesse caso, um neófito em política partidária. Fora esses, os demais navegam no limbo da pouca visibilidade. Nesse cenário, cabe a indagação: quem pode comandar a política em Mato Grosso? A rigor, ninguém. Por uma razão simples. O tempo atual não é mais o tempo de se ter chefes no comando da política. A crise mundial, com todos os seus desdobramentos financeiros, econômicos e o desemprego que veio, vem e virá atrás dela, está produzindo uma sociedade crítica e mais nivelada. Li nesta semana que depois desta crise, a tendência será uma certa padronização social, provocada pelas grandes perdas dos que têm muito dinheiro, e uma ascensão dos que têm menos. Dessa sociedade nova, pode-se esperar muito em comportamentos novos. Aliás, nem precisa esperar pelo fim da crise. Basta olhar para a juventude que é a maioria na sociedade atual. Ela não aceita cabrestos de autoridade nem dos pais, dos professores, do Estado ou de quem quer que seja. Se ela olha para a política com desprezo, quanto mais aceitar que alguém da política mande na sua vida. A tendência que a sociologia política acena, é de alguma coisa assemelhada ao exército chinês, onde entre o general e o soldado existem apenas duas hierarquias, permitindo um funcionamento rápido pela fácil comunicação. A política tem essa única alternativa: renova à semelhança do exército chinês, ou perderá o mínimo de funcionalidade que ainda lhe resta. Por isso, quando olhamos para os cenários da política mato-grossense nos próximos anos, vemos possibilidades de profundas mudanças, entre elas a substituição dos “comandantes” existentes por líderes mais horizontais, como no exército chinês. Não tem outro caminho. E eles poderão vir de qualquer lugar! * ONOFRE RIBEIRO é articulista deste jornal e da Revista RDM [email protected]

Edição EDIÇÃO 16964




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