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ARTIGO
Segunda-feira, 15 de Julho de 2013, 21h:24

NÁGERA DOURADO

Espelho

Todos os dias acordamos e olhamos no espelho. Não me refiro apenas às mulheres vaidosas que precisam conferir cada detalhe da maquiagem ou aos musculosos que admiram diariamente cada parte do corpo. Seja branco, alto, baixo, magro, vaidoso ou não, cada dia precisamos saber se nasceu uma nova espinha, no caso dos adolescentes, ou outra mancha, para os mais velhos. O ser humano tem a necessidade de se ver. Isso desde criança quando o bebê analisa curiosamente o seu reflexo se perguntando de onde veio aquela pessoa que está apalpando. Até quando atingimos certa idade que não é mais possível contar as rugas. A maioria das pessoas está sempre disposta a avaliar como está a aparência, mas quando surge a necessidade de examinar o interior é aí que muitos se escondem. Não estou exortando ninguém a ser desleixado e andar de forma grotesca, mas temos que tomar cuidado para que essa preocupação exterior não seja um escape para transparecer uma felicidade, um bem-estar, que muitas vezes não existe. De nada serve uma aparência impecável se não for acompanhada de uma consciência tranquila. Não quero ser hipócrita, ao ponto de me convencer a andar de qualquer jeito, sem nenhum cuidado externo. Mas assim como temos essa preocupação de não estarmos adequados em questão de roupas, cabelo e problemas de pele devemos ter um espelho interno para analisar as mudanças que sofremos a cada dia. Querendo ou não, certas situações mudam o nosso jeito de pensar, decepções aumentam os nossos medos e às vezes as pessoas deixam marcam negativas em nossas vidas. Existem pessoas perfeitas por fora que dentro de si mesmas sabem o quanto estão angustiadas. É nessa tentativa de ser alguém aceitável pela sociedade e visivelmente feliz que muitos dão lugar à silenciosa depressão. Dados do Ministério da Saúde revelam que 10 milhões de pessoas sofrem com a doença no Brasil e certamente você conhece uma delas. Afinal, a depressão não é explícita, podendo estar escondida atrás de belas roupas, de sorrisos e piadas. O mais importante não é a nossa aparência, mas o que está por trás dela. Que andemos arrumados e cada um de bem consigo mesmo, mas melhor ainda renunciando suas vontades para agradar alguém que se ama ou liberando o perdão. Ajudando o próximo e fazendo o que nos faz bem resultará em uma mudança mais positiva do que quando mudamos o visual por completo. NÁGERA DOURADO é repórter

Edição EDIÇÃO 16966




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