Atentado e terror. Violência e desamor. Pânico e pavor. Feridos e assassinados. Socorridos e sepultados. Lembrados nas lápides em cruz.. Matriculados na escola da luz. Renascidos na imensidão sideral. Recebidos pelo Pai celestial. Reunidos em amplidão espiritual. Vidas exiladas dos corações palpitantes pela indignidade. Vidas interrompidas por mãos armadas pela crueldade. Vidas combalidas por balas disparadas no eco da fatalidade. Vidas privadas da liberdade em tempo integral. Vidas sem o direito da efetiva segurança em um país constitucional. Escola de brasileiras e de brasileiros. Escola alvejada por tiros certeiros. Escola ameaçada em tempo real. Escola dos hinos esquecidos em expressão nacional. Escola das bandeiras sem mastro e sem pavilhão. Escola das rasuras em parágrafos com travessão. Escola das meninas e dos meninos aprendizes do B, A, BÁ da cidadania cada vez mais esfacelada de manchete em manchete de jornal. Escola das meninas e dos meninos reféns da barbárie banalizada em gênero, número e grau. Realengo do Cristo Redentor. Realengo em pranto e dor. Realengo da tragédia humana sem trincheira. Realengo da pátria irmanada além de uma fronteira. Realengo da Guanabara de São Sebastião. Realengo do Rio de Janeiro enquanto Estado da Federação. Realengo do Rio de Janeiro enquanto cidade e capital. Realengo do Rio de Janeiro enquanto cenário de uma chacina em nada pontual. Realengo das lágrimas causadas pelo mesmo exterminador alfabetizado. Realengo das vítimas de um mesmo atirador alucinado. Realengo da tragédia sem qualquer odisséia. Realengo da abelha rainha sem colméia. Realengo da fragilidade da vida humana na epopéia global. Realengo da urgência da égide constitucional. Realengo da vigilância institucional em vigência. Realengo dos vitimados sem qualquer clemência. Realengo dos chamados para a morada eterna e celestial. Realengo dos escolhidos para a batalha cidadã e fraternal. Realengo da Quaresma cristã em desenlace espiritual. Realengo das preces unificadas numa mesma oração subordinada à fé milenar. Realengo das almas acolhidas em novo lar. Idem em Paz! Amém! Após oito dias, estavam novamente os seus discípulos em casa, e Tomé com eles. Chegou Jesus, a portas fechadas, parou no meio e disse: Paz a vós!. A seguir falou a Tomé: Coloca o teu dedo aqui, e olha as minhas mãos. Estende a mão e coloca no meu lado, e não sejas incrédulo, mas tenhas fé. Respondeu Tomé e disse-lhe: Meu Senhor e meu Deus!. Disse-lhe Jesus: Por que me vistes, Tomé, acreditaste? Felizes aqueles que acreditam sem ver!. João, 20, 26-29. *AIRTON REIS é poeta em Cuiabá
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