No reino encantado de Vadju, mais uma vez o rei foi deposto. As mudanças constantes da cadeira maior causam descontinuidade nas ações. O resultado está nas ruas de Várzea Grande, que parecem campo minado: falta água nas torneiras, insegurança e violência em índices alarmantes e qualidade ruim dos serviços prestados, seja na saúde ou na educação. Não tem muito tempo, escrevi aqui neste espaço sobre a cidade industrial. Na época a confusão político-administrativa era tão grande, que num dia a cidade chegou a ter três prefeitos: o titular Murilo Domingos, o vice Tião da Zaeli e o presidente da Câmara, vereador João Madureira. Episódio curioso foi quando assistia ao MTTV e um repórter foi para a rua perguntar quem era o prefeito da cidade. E para minha surpresa e graça até o finado ex-vice-presidente do Brasil, José Alencar, foi citado como prefeito da cidade. A resposta reflete o nível de informação e educação de parte dos várzea-grandenses. Praticamente três meses se passaram desde a última vez em que falei da cidade. Escrevendo este texto perguntei à secretária de nossa casa se ela sabia quem era o prefeito. A resposta foi Murilo. Não acompanhou o noticiário nos últimos dias e não viu que o vice voltou a estar no comando da cidade. Vejam só, tanto ela como eu moramos na chamada VG City. Por isso, reclamo com propriedade dos problemas. Por aqui praticamente apenas as avenidas principais são asfaltadas. É difícil encontrar bairro com rede de saneamento e completamente asfaltado. A estratégia dos prefeitos é passar o asfalto onde o ônibus passa, diminuindo o poeirão. Isso já um alento para os moradores. Crianças ficam fora da sala de aula porque a prefeitura não paga o aluguel do prédio. E ninguém sabe para quem reclamar, pois ninguém sabe direito quem é o prefeito. O prefeito, o eleito em 2008, foi afastado pela Justiça, acusado de atos de improbidade administrativa. São diversas ações movidas pelo Ministério Público contra ele. Porém, nenhuma ação foi julgada em definitivo e ele pode voltar ao cargo a qualquer momento. Enquanto isso, o vice, que é brigado com o prefeito, promete trocar todo o secretariado. Vejam só a confusão! O fato é que agora faltam 17 meses para que o mandato do eleito em 2008 acabe. A esperança dos que moram em Várzea Grande é que as coisas mudem de verdade. Todos os problemas não podem ser atribuídos apenas à última gestão, pois são seculares. Mas as soluções devem aparecer rápido. Assim esperamos! ANA ROSA FAGUNDES é repórter