ARTIGO
Quinta-feira, 28 de Novembro de 2013, 19h:44
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EDUARDO PÓVOAS
E o cão foi.....
Poucas são as pessoas que não gostam de ter um cachorro em casa. Tanto faz um pit bull ou um pinscher, o negócio é ter a seu lado o animal que foi, disse eu, que foi, outrora, o melhor amigo do homem. Nas minhas viagens adoro andar de metrô. Acho que se todas as cidades tivessem esse meio de transporte idêntico ao de São Paulo, poucos se arriscariam a pegar seu carro para trabalhar. Bom, barato e muito limpo. Pois bem, dentro e nas estações desse metrô, por vários dias chamou minha atenção a dependência de homens e mulheres pelo celular. Não para fazer ligações, mas para escutar música, jogar, navegar na internet, bisbilhotar o WhatsApp, ficar horas e horas no Facebook e outras coisas mais. Ninguém, absolutamente ninguém, anda sem o fone de ouvido no seu. Jovens de chinelos e bermudas curtíssimas e esfarrapadas têm invariavelmente no bolso de trás seu aparelho. Pode não ter um centavo no bolso, mas o celular está pronto para receber uma ligação ao toque de um hino de algum time de futebol de uma música sertaneja, ou de um lambadão. Concluí que infelizmente o cachorro perdeu para o telefone celular, o que por décadas conseguiu ser o melhor amigo do homem. Claro, ninguém entra com um cachorro no cinema, na igreja, em um jogo de futebol ou em um baile, e com um celular isso pode acontecer. Mas não é por essa facilidade de andar com ele que percebo que o cãozinho perde dia a dia seu título de melhor amigo do homem. Nas rodas de jovens e não-jovens, chega a incomodar a falta de educação de alguns que deixam de conversar e prestar atenção na conversa para estar ligado na internet ou no WathsApp. Nas visitas a amigos, coloque seu aparelhinho no stand bye, converse e escute. Afinal, você foi visitar um ser humano e não um androide. Não há mais diálogo como havia antigamente quando todos falavam, escutavam e participavam a ponto de um restaurante de São Paulo inventar uma moda em que os jovens deixam na mesa seus celulares e quem atender a qualquer ligação que nele chegar paga a conta. Felizmente sou do tempo do cochicho ao pé do ouvido. Sou da época do Odorico Paraguassu que apreciava muito mais um colóquio sigilento do que digitar na tela de um aparelhinho. Que tal usarmos as invenções do mundo moderno para o nosso conforto e segurança e ao sairmos para um encontro ou um jantar voltarmos à caretice do passado, ou seja, escutar, falar, participar, abraçar e beijar como faziam os velhos que sempre preferiram o tête-à-tête com a amada? Que tal voltarmos a ser educados, participativos e atrairmos a atenção dos outros nos bares e restaurantes somente pelo nosso charme e beleza? Você topa? *EDUARDO PÓVOAS - cuiabano, pós-graduado pela UFRJ