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ARTIGO
Quarta-feira, 28 de Junho de 2006, 20h:45

MARIANNA PERES

E agora José?

Na reta final dos acertos entre reivindicações do setor produtivo e concessões do governo federal, os produtores mato-grossenses amanheceram ontem com a notícia de que o ministro da Agricultura Roberto Rodrigues havia anunciado a saída do ministério. Eu, que acompanho o setor diariamente, fiquei surpresa com a notícia, afinal, o pico da crise entre União, Rodrigues e produtores havia sido registrado há cerca de um ano, quando as pressões do campo chegaram a Brasília por meio dos protestos do Tratoraço. Atualmente, após uma série de ajustes anunciados ao setor, aqui de fora o clima parecia mais ameno. Todos esperavam por esta decisão há qualquer momento, mas isso há mais de um ano. Em entrevista coletiva em Cuiabá, em agosto do ano passado, dentro do período de crise extrema entre os “tripés” da produção brasileira, eu mesma tive a oportunidade de perguntar ao ministro se ele pensava em deixar o cargo pelo desgaste acumulado a sua imagem. Prontamente, com um leve sorriso no rosto e com paciência reconheceu que diante do cargo que ocupava estava absorvendo todas as pressões que recebia diariamente do setor produtivo e que isso lhe gerava inúmeras críticas. “Ainda assim, não sinto minha imagem como ministro desgastada. Mas esta é uma situação que aborrece muito. Apesar de todos baterem em mim, eu não penso em deixar o cargo. Por enquanto, penso em resolver os problemas”, garantiu na época. Lá atrás, no dia 27 de agosto do ano passado, Rodrigues afirmou que precisava fazer muito pelo setor. Já ontem, quase um ano depois, ele confirmou por meio de sua assessoria, que tinha “cumprido a sua missão”. A saída do ministro deixa o setor produtivo mais uma vez em estado de alerta. Lideranças rurais acreditam que as medidas recentemente anunciadas em conjunto pelos ministérios da Agricultura e da Fazenda, sejam esquecidas com a saída do ministro. “Nesta reta final de governo Lula é possível que coloquem alguém da casa para segurar as pontas até dezembro. Temos medo de que a agricultura fique novamente relegada a segundo e terceiro planos”, disse um produtor rural. Infelizmente com todas as qualidades reconhecidas pelos parceiros do campo, Rodrigues vai carregar o ônus do cargo que ocupou por mais de três de anos e será lembrado como o ministro da crise, como resumiu ontem à tarde um outro líder rural. Apesar da surpresa pela renúncia neste momento, os homens que fazem o agronegócio mato-grossense girar reforçam as qualidades de Rodrigues, mas lamentam que ele tenha servido a um governo que não ouve o setor produtivo e “mata a galinha dos ovos de ouro da economia brasileira”. MARIANNA PERES é editora de Economia do Diário

Edição EDIÇÃO 16968




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