NA HORA
O jornal de Mato Grosso Facebook Facebook twitter youtube

Cuiabá MT, Quarta-feira, 24 de Junho de 2026

ARTIGO
Segunda-feira, 16 de Dezembro de 2013, 20h:28

LAURA NABUCO

E a democracia?

Em sua carta-renúncia o ex-deputado federal Pedro Henry (PP) criticou sua condenação pelo Supremo Tribunal Federal (STF), diante da acusação de envolvimento no escândalo do Mensalão. Afirmou ter sido absolvido, não uma, mas duas vezes pela população mato-grossense, que o reelegeu, mesmo sabendo das denúncias, em 2006 e 2010. Se eu fosse ele, teria acrescentado ao texto a quantidade de votos, que não foram poucos. Em 2006, Henry assumiu seu quarto mandato consecutivo como o sexto deputado mais votado do Estado, com o aval de 73.312 eleitores. Na eleição seguinte que, aliás, disputou sub judice, o resultado foi ainda mais expressivo: 81.454 votos. Corrupto ou não, Henry abre brecha para uma importante discussão sobre a Lei da Ficha Limpa. Afinal, não são poucos os que, como ele, disputaram cargos sob suspeita da Justiça Eleitoral e, mesmo assim, conseguiram se eleger. Se a maioria da população quer estas pessoas no poder, quem são esses meia-dúzia de magistrados para dizer que eles não podem assumir? É bem verdade que desde os primórdios a maioria vem fazendo péssimas escolhas, que o diga o Jesus Cristo e Barrabás, o ladrão. Mas, se a intenção é ter uma democracia, então não há justificativa para que um grupo numericamente inexpressivo, só porque faz parte de uma Corte, anule a decisão de uma quantidade esmagadora de pessoas. Quando a Lei da Ficha Limpa era discutida ouvi alguns dizerem que ela era justa, porque um ex-presidiário que roubou muito menos, ao ser condenado pelo crime que cometeu, estava também fadado a nunca mais conseguir um emprego, pelo fato de ser fichado na polícia. Dessa forma, um político que rouba também deveria ser impedido de voltar a conseguir um cargo público. Mas há um porém neste argumento: não existe nenhuma lei que proíba empresários de contratarem para suas empresas ex-detentos, existe? Quem não contrata uma pessoa porque ela foi condenada por roubo ou qualquer outro crime, não o faz porque não confia nela. Então, por que confiar em um político acusado de corrupção? Outra coisa que não faz o menor sentido nessa história é o fato de a Lei da Ficha Limpa ser de iniciativa popular e ter recebido mais de um milhão de assinaturas, ao passo em que os enquadrados por ela continuam recebendo toneladas e toneladas de votos a cada pleito. Mas, para não restar dúvidas quanto ao meu posicionamento sobre tudo isso, afirmo: sou a favor da Ficha Limpa! Não porque concorde que o cara condenado não possa se candidatar, mas porque tenho convicção de que o povo não sabe escolher o que é melhor para si próprio. LAURA NABUCO é editora de Política do Diário

Edição EDIÇÃO 16968




ENQUETE
Você acredita que a Ferrovia Vicente Vuolo vai chegar a Cuiabá?
Sim. Seria uma questão de tempo. E de interesse.
Não. A Rumo já sinalizou que não é uma prioridade
Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
PARCIAL