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Cuiabá MT, Quinta-feira, 11 de Junho de 2026

ARTIGO
Terça-feira, 11 de Janeiro de 2011, 20h:27

ROBERTO B. DA SILVA SÁ

Discurso de posse e educação

No artigo anterior falei da saída tardia de Lula. Agora, comento acerca do discurso de posse de Rousseff, com destaque à educação. Antes, eis o que foi dito sobre o tema: “Junto com a erradicação da miséria, será prioridade do meu governo a luta pela qualidade da educação, da saúde e da segurança. Nas últimas duas décadas, o Brasil universalizou o ensino fundamental. Porém é preciso melhorar sua qualidade e aumentar as vagas no ensino infantil e no ensino médio. Para isso, vamos ajudar decididamente os municípios a ampliar a oferta de creches e de pré escolas. No ensino médio, além do aumento do investimento público vamos estender a vitoriosa experiência do Prouni para o ensino médio profissionalizante, acelerando a oferta de milhares de vagas para que nossos jovens recebam uma formação educacional e profissional de qualidade. Mas só existirá ensino de qualidade se o professor e a professora forem tratados como as verdadeiras autoridades da educação, com formação continuada, remuneração adequada e sólido compromisso com a educação das crianças e jovens. Somente com avanço na qualidade de ensino poderemos formar jovens preparados, de fato, para nos conduzir à sociedade da tecnologia e do conhecimento.” A priori, é bom notar que a educação – por ser uma das piores do mundo – não recebeu o destaque que deveria. O tema surgiu junto com a miséria, saúde e segurança; e na metade do discurso. Resumo: quase tudo será continuidade de FHC e Lula. Até o ministro será o mesmo, apesar dos vexames do Enem. A “novidade” foi o anúncio de mais privatização; agora, no “médio profissionalizante”, uma vez que o Prouni é um enorme assalto legalizado ao erário. Os pobres que pensam se “beneficiar” disso são encaminhados às piores faculdades. As melhores são as públicas. Nessas, em geral, os pobres só entram em cursos desprezados socialmente, como os do magistério. Via de regra, o Prouni é uma das grandes vendas de ilusão. O verdadeiro interesse desse programa, além de capitalizar votos, é socorrer empresários da educação; afinal, a inadimplência diminui seus lucros. É um golpe eleitoreiro, mas bem inteligente, pois passa a idéia cristã de um governo preocupado com a juventude pobre. Em termos de qualidade, o programa é rasteiro. No mais, a fala de Rousseff sobre “remuneração adequada” dos professores é inócua. Filme velho. Qualquer migalha, sob ótica dos neoliberais, é exorbitância e extrapola o orçamento. Ademais, em minha opinião, hoje, a “remuneração adequada” – pelo menos a um docente com doutorado – não deveria ser menor do que a de um deputado federal. Para mim, agora, esse é o parâmetro para o teto de adequações salariais dos professores; fora disso, é palhaçada!!! Mas um acordo eu tenho com o discurso de Rousseff: “Somente com avanço na qualidade de ensino poderemos formar jovens preparados...”. Todavia, para não falar dos outros níveis, o Reuni (Programa de Reestruturação das Universidades Federais) vem minando na base o ensino da graduação das federais porque – quantitativo como é – superlota salas de aula e retira dos docentes horas de pesquisas/leituras. Portanto, tudo está na contramão da qualidade. Além disso, uma revisão nos rumos pedagógicos em todos os níveis já passou da hora. A proposta do novo PNE não aponta mudanças nesse sentido; consolida a tragédia, calcada nas relações do “politicamente correto”. Enquanto isso, tudo é palavra, discurso; logo, ludíbrios de governos neoliberais. Em suma, a educação tende a continuar descendo a ladeira... * ROBERTO BOAVENTURA DA SILVA SÁ, Dr. em Jornalismo/USP. Prof. de Literatura da UFMT [email protected]

Edição EDIÇÃO 16959




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