* RENATO DE P. PEREIRA
Este é um texto empírico. Suas informações não se baseiam em nenhuma tese científica ou em qualquer pesquisa. Nem mesmo o sabe-tudo Google! Foi consultado. A rigor nem afirmações contem, somente divagações de um caipira falante, que se não fez observações melhores da vida não foi por falta de tempo, dado que já está aqui neste mundo há uma penca de anos. O assunto é o aquecimento global, matéria de apaixonadas discussões que estimulam a verve dos contendores das mais variadas tendências. De um extremo se afirma que a terra está inexoravelmente em ritmo de aquecimento por culpa total do homem, principalmente pelo desmatamento para plantio de alimentos e criação de animais. Esses últimos, os bois em especial, são agora considerados os maiores vilões do aquecimento. Os gases produzidos pelo rumem desses animais seriam causadores do efeito estufa. O outro lado garante que os aquecimentos e resfriamentos são próprios da dinâmica do universo e que a ação do homem, ou antropização, o novo termo em moda, tem irrisória importância no processo. Discussões como essas já freqüentaram o noticiário nacional em outros tempos com igual emoção e barulho. Quando nos anos 60 e 70 do século passado ganhava força no Brasil a agricultura moderna baseada no uso de fertilizantes e defensivos químicos, bandeiras se levantaram anunciando o envenenamento da população por esses insumos agrícolas. Felizmente para a população do mundo essa idéia não prosperou e hoje os fertilizantes e defensivos são totalmente aceitos. Nem poderia ser de outra forma, pois a necessidade sempre crescente de alimentos não seria satisfeita sem a participação desses elementos no cultivo de grãos. Alguns anos depois, por volta de 1900, a transgenia entrou na pauta de discussão. Os mesmos defensores do não uso de fertilizantes e defensivos químicos, seus descendentes e seguidores, encontraram uma nova bandeira para levantar. A afirmação agora era que o processo de inserção de um gene de um ser vivo em outro sairia de controle comprometendo a vegetação nativa. O resultado funesto dessa falsa ideia foi o atraso do Brasil em entrar no time dos países que plantam lavouras transgênicas. Também os alarmistas usavam o argumento que as multinacionais estariam manipulando os empresários agrícolas e que só elas teriam lucro na incorporação dessa tecnologia. Esse raciocínio tentava transferir para os empresários agrícolas a ingenuidade dos esquerdistas, ao supor que aqueles não sabem fazer contas. Só mesmo esses inocentes podem supor que é possível fazer um agricultor mudar sua técnica de plantio sem perspectiva de melhora no ganho. Esqueciam que nossos agricultores comerciais já eram empresários tecnicamente sofisticados e acostumados a lidar com as trades. Também é muito interessante lembrar que para produzir a quantidade de alimentos de que o mundo precisa sem a valiosa ajuda dos defensivos, fertilizantes químicos e transgenia seria necessário o dobro de área plantada, no mínimo. O bom disso tudo é que sempre fica algum ganho: no caso dos fertilizantes e defensivos a discussão conseguiu banir alguns produtos hoje reconhecidamente maléficos; na transgenia leis criaram normas que por certo evitarão alguns exageros dos menos éticos.Em alguns anos essas discussões de aquecimento estarão ultrapassadas, como já estão as outras citadas acima. Mas os confrontos deixarão, por certo, diversas lições necessárias para a mitigação outro termo da moda dos danos ao meio ambiente. Quando os espíritos serenarem os agitadores já terão outra bandeira para desfraldar, mostrando mais uma vez que sem os exaltados não se modificam as coisas, mas com eles não se governa. Em tempo: Não tenho nenhum interesse financeiro no agronegócio. * RENATO DE PAIVA PEREIRA, empresário
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