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ARTIGO
Quinta-feira, 26 de Março de 2009, 20h:49

CLAUDIO DE OLIVEIRA

De volta para o futuro

Quando começamos a estudar o legado benjaminiano com o professor Bernd Fichtner nossos sentidos ‘experenciaram’ o novo. Walter Benjamin (WB) foi um estudioso alemão, nascido no final do século XIX e que viveu apenas até 1940 e traçou de maneira surpreendente uma leitura sobre as novas mídias (até então fotografia, cinema e rádio), sobre a questão da experiência, da infância, da linguagem e da reprodutibilidade técnica da obra de arte entre outros assuntos. Para isso usou uma linguagem metafórica rica e densa que permite que até hoje utilizemos do seu instrumental teórico para compreender ou apreender melhor o papel do sujeito e das tecnologias na construção social. Para Benjamin apenas a narrativa transmite experiência. A narrativa a qual WB se reporta é aquela oral, passada dos mais velhos para os mais novos em um fenômeno compartilhado e social. Benjamin acreditava que o romance era fechado e provocava o isolamento do indivíduo e por isso transmitia apenas uma vivência e não uma experiência no sentido pleno da transformação e aprendizado. Desde o princípio do romance busca-se um sentido da vida e ao final o temos, antes de lermos o derradeiro fim escrito na última página. A narrativa não. Ela trás um conselho e conta com a autoridade do narrador tido como portador da sabedoria. É claro que é questionável, pois temos romances profundos que nos transformam em relação ao mundo e em relação a nós mesmos. Mas WB não temia as novas mídias, a propósito do romance ele acreditava ser um processo subjetivo, o que atrapalharia a construção social em função de uma pobreza de experiência. WB não via nas novas mídias, como seus colegas da Escola de Frankfurt, a perspectiva de manipulação das massas através do capital, ou melhor, da indústria cultural. Benjamin atribuiu ao cinema uma nova maneira de sentir, “os meios de comunicação modernos não penetram, ou invadem o sujeito, senão eles o libertam ou eles ajudam a sair de dentro de si mesmo, projetam para fora.” São duas concepções de sentido: a táctil e a ótica. A primeira pela distração e a segunda pela contemplação. O cinema possibilita ao espectador uma visão múltipla com seus cortes, enquadramentos, câmeras lentas que não eram possíveis no teatro clássico. A apreensão do filme “é para Benjamin um laboratório para a politização da arte, quer dizer mediante a distração no cinema, as massas se comportam com uma maior heterogeneidade – isso é a possibilidade essencial para entrar num processo de busca de autonomia” segundo Fichtner. Com isso somos convidados a caminhar junto com o Flaneur de Baudelaire apreendendo sentidos e sendo absorvido por vitrines internéticas infinitas. Uma verdadeira reinvenção da linguagem visual que migrou da fotografia ao cinema, deste à televisão e desta ao ciberespaço. CLAUDIO DE OLIVEIRA é jornalista e publicitário e mestrando em Estudos Culturais Contemporâneos (ECCO/UFMT) [email protected]

Edição EDIÇÃO 16965




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