Para a maioria Mato Grosso é quase o infinito. Não é fácil palmilhar todos seus municípios e vilas, suas rodovias sem fim, cruzar os rios que correm para o sul e para o norte, devorar seu céu em incontáveis vôos. Somente quem se dispõe a lutar por uma causa que exige algo quase comparável ao dom da onipresença é capaz de estar em todos os lugares ao mesmo tempo, ora fisicamente ora na força do ideal. Na condição de jornalista acompanho há alguns anos o trabalho do presidente da Assembléia Legislativa e do Fundo Emergencial da Febre Aftosa (Fefa), deputado Zeca DÁvila, homem determinado, íntegro e imbuído de espírito classista, que faz de sua vida um instrumento a serviço da sanidade animal e mais precisamente da luta contra a febre aftosa, essa doença velhaca, imprevisível e cercada de altos interesses econômicos. Incontáves vezes presenciei incisivos pronunciamentos de Zeca conscientizando criadores da necessidade de se vacinar contra a aftosa. Essa luta travada em reuniões em fazendas, sindicatos rurais e nas cidades interioranas passa quase despercebida em Cuiabá, onde o enfoque principal do noticiário jornalístico e os debates entre formadores de opinião versam principalmente sobre política. O papel desempenhado por Zeca foi decisivo para que a aftosa fosse banida das invernadas mato-grossenses, onde até 1995 era senhora absoluta, para desespero dos criadores que em razão desse problema sanitário não podiam exportar carne para o mercado europeu. Zeca personifica a luta contra a aftosa e nunca esteve sozinho na trincheira. Ao contrário, ao seu lado, além da classe produtora formada por 94 mil criadores teve entidades e grandes nomes que se destacaram por sua atuação, a exemplo de Paulo Nanô, Alzira Catunda, Ênio Arruda, Décio Coutinho, Paulo Bilego, Homero Pereira, Miguel Chama, Olavo Aguiar, Otaciano Alves, José Lino Cabeção, Edson de Andrade, Antonio Carlos Carvalho, Jorge Pires, Alberto Cesário, Mario Candia, José Almir, Wolfgang Dankmar Gunther, Alexander Estermann, Darci Heemann, Normando Corral, Fernando Tulha, Maurício Tonhá, Kleiber Leite, José Ribeiro da Silva, Rui Prado, Luiz Carlos Meister, Laércio Fassioni, e os saudosos Zelito Dorilêo e Manequinho Albernaz. Cumprimento Zeca por sua luta e pelo resultado alcançado, que deixa Mato Grosso desde 16 de janeiro de 1996 sem aftosa e mantém abertas as porteiras do mercado internacional para um dos mais importantes pilares da economia mato-grossense: a carne bovina. EDUARDO GOMES é jornalista
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