NA HORA
O jornal de Mato Grosso Facebook Facebook twitter youtube

Cuiabá MT, Terça-feira, 23 de Junho de 2026

ARTIGO
Sábado, 26 de Março de 2011, 13h:47

EDUARDO GOMES

De porteira

Em política coligação é uma espécie de joint venture em busca de objetivos comuns, mas sem prejuízo do capital eleitoral dos partidos. Às vezes funciona bem, mas em outros casos se transforma em desastre com sequelas de difícil cicatrização. Júlio Campos e Carlos Bezerra fizeram joint venture em 1998, quando ambos eram senadores. O primeiro liderava o PFL que deu origem ao Democratas e se lançou ao governo. O outro, presidente crônico do PMDB mato-grossense, ainda tinha quatro anos de mandato, mas se candidatou ao mesmo cargo, como se um corpo pudesse ocupar dois lugares no espaço ao mesmo tempo. A união de adversários imemoriais e o apetite de Bezerra pelo poder não foram palatáveis ao eleitor, que lhes aplicou severa surra, ou tunda, como queiram, nas urnas. Transcorridos mais de 12 anos, democratas e peemedebistas novamente se unem em Mato Grosso. Dessa feita o fazem fora de período eleitoral, com o deputado estadual José Domingos (DEM) ganhando cargo de secretário no governo de Silval Barbosa (PMDB). A migração ao poder não é ato solitário de José Domingos: com ele aportam no Palácio Paiaguás as figuras de seu partido acostumadas aos cargos comissionados, ao brilho do poder e, claro, às suas benesses também, porque as regras do jogo são assim. Além disso, seu gabinete será o elo entre Silval e os irmãos Júlio (acima citado) e o senador democrata Jayme Campos, que são os timoneiros do grupo ao qual pertence o mais novo integrante do governo. Não conheço o novo secretário, mas de longe acompanho sua trajetória política. Sem o biótipo dos gaúchos donos de milhares de “’hetares’ de ‘tera’”, com diploma de agrônomo debaixo do braço e carregando na certidão de nascimento o DNA de filho da garimpeira Nortelândia, José Domingos blefado – como dizem os garimpeiros - apeou do ônibus na embrionária Sorriso, botou a classe política local no bolso e por três vezes foi prefeito daquele município que é o maior produtor mundial de soja. De quebra é deputado reeleito, ajudou o irmão Neurilan (PR) se eleger prefeito de sua Nortelândia e seu ex-secretário municipal Farid Tenório (DEM) a conquistar a prefeitura de Arenápolis, que forma conurbação com sua terra. O futuro nos mostrará o desfecho desse estranho casório. Porém, uma coisa é certa: Mato Grosso caminha para o unipartidarismo travestido de pluripartidarismo eleitoreiro que não resiste ao menor afago do poder. Essa realidade frustra o eleitor que busca mudança votando na oposição, castra o debate e institui o monólogo que abre a perigosa porteira do absolutismo. Eduardo Gomes é jornalista [email protected] WWW.mtaqui.com.br

Edição EDIÇÃO 16968




ENQUETE
Você acredita que a Ferrovia Vicente Vuolo vai chegar a Cuiabá?
Sim. Seria uma questão de tempo. E de interesse.
Não. A Rumo já sinalizou que não é uma prioridade
Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
PARCIAL