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Cuiabá MT, Quinta-feira, 11 de Junho de 2026

ARTIGO
Sábado, 01 de Setembro de 2012, 14h:02

MÁRIO MARQUES DE ALMEIDA

De Karl Marx a Carminha

Karl Marx pregava que a Igreja era o ópio do povo, referindo-se então à Católica, porque as muitas seitas que se espalham hoje pelo mundo não existiam naquela época. Imaginem o que ele não diria se o “bispo” Macedo e o “apóstolo” Valdemiro atuassem naquele tempo! Como fazem hoje, se digladiando em brigas estampadas na mídia, travadas principalmente através de veículos próprios de comunicação social ou arrendados por esses magnatas da fé, com acusações mútuas. Com o entrevero sendo motivado não por questões filosóficas ou teológicas, mas pela disputa do mercado de donativos e dízimos aportados pelos rebanhos fanatizados. De acordo com o entendimento do autor de O Capital, a religião contribuía para o amortecimento da luta de classes e, portanto, retardando a eclosão da revolução socialista que ele defendia. À medida – sempre conforme Marx – em que a Igreja incutia na cabeça das massas que o sofrimento nesta terra representaria o paraíso no céu. Tenho, para mim, que nessa premissa se sustenta todo o materialismo dialético do marxismo. Karl Marx, um pensador devotado à sua causa, partiu em 1.883, a doutrina que ele idealizou, o Comunismo, não dominou o planeta e, pelo contrário, está reduzindo a sua esfera de atuação, se limitando à China e ditaduras moribundas, como a cubana, e a de poucos outros países. Já quanto à Igreja Católica, vem se renovando em sua postura carismática e política, elegeu a opção pela defesa dos pobres e oprimidos e já não é mais a aliada preferencial dos poderosos. O marxismo foi superado pela necessidade do Capitalismo, não por este sistema ser bonzinho, de se expandir na procura de consumidores, o que elevou padrões de renda do proletariado que, ao invés de se levar por ideologias, prefere entrar nas Casas Bahia e trocar a televisão antiga por uma mais nova, maior e moderna. Ou trocar de carro. Por falar em TV e no colapso da tese do “Ópio do Povo”, em compensação temos hoje em dia as novelas da Rede Globo! Não fazem propriamente uma “lavagem cerebral” como as que pretendem (e, o pior, conseguem!) os templos midiáticos modernos na busca desenfreada por doadores, mas realizam a catarse de milhões e milhões de telespectadores, entre os quais este articulista, que assina embaixo, e desopila o fígado assistindo à novela Avenida Brasil. Nervoso, como a maioria dos que ficam do lado de cá da telinha, com o fato da “mocinha” Rita/Nina (interpretada por Débora Falabella) não alertar o corno do Tufão sobre as armações da “bandida” Carminha – aliás, numa interpretação magistral de Adriana Esteves – que o “chifra” com o cunhado Max. A Globo, nesse quesito noveleiro, é imbatível! Sua competência é reconhecida, porém, muitas vezes chega a ser exagerada por aqueles que dão às suas novelas um poder de influência que elas, mais feitas para o entretenimento, absolutamente não têm. Um caso típico é a novela “Que Rei Sou Eu?”, que foi ao ar, coincidentemente, às vésperas da campanha eleitoral travada entre Collor de Melo e Lula, em 1989, e cuja trama foi considerada, sobretudo pelos petistas derrotados, de favorecer Collor. Pode até ser que, pela notória aversão que a Globo então nutria pelo PT, essa tenha sido a intenção. Porém, na minha modesta opinião, o público noveleiro não se deixou levar pela ficção, sabendo separar fantasia da realidade, e Lula perdeu porque o PT ainda confundia eleição com revolução. Quando o partido se reciclou, o resultado todos conhecem! Mário Marques de Almeida é jornalista. wwww.paginaunica.com.br E-mail: [email protected]

Edição EDIÇÃO 16959




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