Apagada do efervescente cenário econômico mato-grossense Porto Estrela avança, porém para a retaguarda. Entre os censos de 2000 e 2010 sua população despencou de 4.707 para 3.639 habitantes, o que resulta em crescimento negativo de 22,69% no período. Paralelamente a isso o município tem o pior IDH de Mato Grosso: 0,654 numa escala de zero a um (a média estadual é de 0,773). A população murcha. Jovens mais ousados deixam e cidade em busca da universidade e do trabalho. Enquanto o irreversível êxodo acontece os 400 aposentados e os servidores da prefeitura sustentam a economia da cidade até agora sem horizonte muito embora esteja nas barrancas de um dos trechos mais bonitos do piscoso rio Paraguai e a 160 km de Cuiabá. Ilha de letargia numa região de franco desenvolvimento Porto Estrela não pode mais aceitar esse cenário sufocante. Sua representação política é fraca, mas o fator geográfico é suficientemente forte para inseri-la ao contexto econômico mato-grossense. A cidade de Porto Estrela é dividida ao meio pela MT-343 que liga o Chapadão do Parecis ao porto de Cáceres na Hidrovia Paraná-Paraguai. Essa rodovia, no entanto, não é rota de escoamento de produção por falta de pavimentação, obra que se executada dará maior competitividade ao conjunto das commodities de Tangará da Serra e seu entorno no Chapadão, porque reduzirá seu índice de continentalidade. Pela MT-343 Porto Estrela fica a 31 km da MT-246 (Barra do Bugres/Cuiabá) com 23 km sem pavimentação. Por essa mesma rodovia dista 107 km de Cáceres, com 9 km pavimentados, o restante em leito encascalhado e com pontes de madeira que não permitem tráfego pesado. Porto Estrela merece e Mato Grosso precisa da MT-343, que quando pavimentada reduzirá a distância de Tangará da Serra a Cáceres em 230 km. A cidade tem a palavra do governador Silval Barbosa garantindo o asfalto até a MT-246, rumo ao Chapadão, mas precisa bem mais que esse compromisso para abrir caminho ao porto na direção oposta. Estive em Porto Estrela no Dia de Tiradentes. Conversei com sua gente. Catulino Ferreira da Costa, o seo Catu, octogenário ali nascido, ex-juiz de Paz e minha fonte de consulta há 12 anos disse que sua vida tem pressa, mas acredita que verá o asfalto cruzando a cidade. Lá, todos ficam atentos à curva da estrada à espera do maquinário das construtoras. Enquanto isso a cidade é palco da solidariedade pela sobrevivência e o chefe dos Correios, Ozair dos Santos, que também é professor de Matemática, não leciona, por gesto de grandeza, para garantir mais posto de trabalho na sua cidade que sonha com o amanhã. Eduardo Gomes é jornalista
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