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Cuiabá MT, Quarta-feira, 17 de Junho de 2026

ARTIGO
Sábado, 16 de Abril de 2011, 13h:56

EDUARDO GOMES

De gol contra

Multiação é o rótulo político e promocional do convênio de R$ 40 milhões da Prefeitura de Cuiabá com o governo estadual para a realização de tapa-buracos, recapeamento de ruas, limpeza de córregos e outras ações administrativas que se fossem empreendidas regularmente jogariam por terra a necessidade dessa parceria que resulta numa facada de R$ 20 milhões dos cofres do Palácio Paiaguás e de igual valor no quase em ruínas prédio central da administração cuiabana. Inegavelmente o convênio chegou em boa hora e sua viabilização se deve a sensibilidade política do governador Silval Barbosa. Silval reconheceu que a prefeitura contemplada atravessa turbulento período administrativo e também em nome dos preparativos para a Copa do Pantanal, botou o chamegão no papel. Entendo que o convênio se justifica face aos contratempos no Alencastro. Defendo a reforma tributária por maior participação dos municípios no bolo da arrecadação. Mesmo assim boto o pé atrás em relação aplicação dos R$ 40 milhões e, por isso, tomo a liberdade de sugerir fiscalização integrada e em tempo real nas obras em curso sob responsabilidade do prefeito Chico Galindo em muitos pontos de Cuiabá. Em meados da semana que terminou, cruzei a Avenida Mário Palma e seu prolongamento nas imediações do Centro de Eventos do Pantanal, no Ribeirão do Lipa. Naquele trecho deparei-me com um tapa-buracos da pior qualidade possível e que chega até a ser ofensivo a Cuiabá. Imaginei que se tratasse de caso isolado, que não resistiria a olhar superficial da fiscalização municipal encarregada pela obra. Mesmo assim, resolvi percorrer outras ruas. O que vi por onde andei é fotocópia autenticada do tapa-buracos ofensivo. Tomando por base fatos correlatos em Cuiabá e outros municípios, gostaria que uma força-tarefa formada pelo Ministério Público, Tribunal de Contas, Assembleia e Câmara monitorasse as obras em curso. Essa sugestão pode parecer petulante e até mesmo ser onerosa aos cofres públicos, mas é imprescindível para impedir que uma montanha de dinheiro público seja usada na tentativa de devolver trafegabilidade a trechos de ruas ora comprometidos, sem que se alcance essa meta em razão da má qualidade do serviço. Espero que os recursos alcancem os objetivos formais da parceria Estado e município, porém não os quero escoando pelo ralo. Desejo o melhor para Cuiabá, mas não me deixo levar pela justiticativa que o convênio prepara Cuiabá para 2014. O verdadeiro exercício da cidadania é não permitir que em nome da Copa do Pantanal a prefeitura marque gol contra. Eduardo Gomes é jornalista [email protected] www.mtaqui.com.br

Edição EDIÇÃO 16964




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