A perereca Phrynohyas resinifictrix sobrevive somente em ambientes muito bem preservados. Um de seus habitats naturais é uma área que mede um milhão de hectares em Apiacás. Outra fica na vizinhança, no Amazonas, com superfície de dois milhões de hectares. A identificação da Phrynohyas resinifictrix nesses três milhões de hectares em Apiacás e no Amazonas deixou o Ibama numa sinuca de bico: ou cria um parque para garantir a proteção da exigente Phrynohyas resinifictrix ou bota a danada na lista dos ameaçados de extinção. Não deu outra: o Ibama bateu o martelo pela criação do Parque Nacional do Juruena, que incorporará um milhão de hectares de Apiacás, e que ampliará sensivelmente a área intocada daquele município. Não se pode falar com exatidão quanto sobrará para a agropecuária em Apiacás, onde o corte raso somente é permitido em 20% da superfície. Mas, não seria exagero dizer que esse município criado por Ariosto da Riva está na cabeceira da fila do corredor da morte social e econômica. Morte social porque o tal parque da Phrynohyas resinifictrix vai despejar centenas de famílias e inviabilizar a vida do povo do lugar. Morte econômica porque onde não se pode trabalhar não circula dinheiro, não há atividade empresarial. Impotentes assistimos a supranacionalização da Amazônia escamoteada sobre esdrúxulos argumentos, sem que o conjunto da população saiba a realidade que se esconde sob esses esfarrapados argumentos que a cada diz se fecham como um poderoso polvo sobre Mato Grosso. Infelizmente não se pode esperar reação do governo federal, acéfalo, e com sua base formada pelo colorido ecoloquismo que, no entanto não tem as cores verde e amarelo. Restam vozes isoladas, com pouco espaço na mídia, que não devem se calar e precisam ganhar força antes que seja tarde demais. Que cada um reflita sobre o assalto ambiental ao patrimônio territorial amazônico. Tomara que Mato Grosso assuma a bandeira do povo de Apiacás e que seu povo saiba que esse parque é fomentado pelo World Wide Found for Nature, ou simplesmente WWF, agora com embalagem tupiniquim de WWF-Brasil. E viva a perereca! EDUARDO GOMES é jornalista
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