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Cuiabá MT, Quinta-feira, 11 de Junho de 2026

ARTIGO
Sábado, 05 de Fevereiro de 2011, 15h:04

EDUARDO GOMES

De DNA

Com fome e empoeirado entrei na Toca da Onça em busca de bom churrasco para almoçar. As mesas lotadas por peões, boiadeiros, fazendeiros e viajantes me pareciam familiares embora fosse meu primeiro contato com aquela churrascaria e com Barra do Garças. Para mim, o cenário tinha um quê de familiaridade porque meses antes li uma reportagem da revista “Realidade” sobre ele e a cidade. Transcorridos 40 anos daquele almoço sinto-me barra-garcense adotivo, porque nas minhas incontáveis idas àquela cidade abri espaço especial em meu coração para ela. Ao longo do tempo tomei conhecimento sobre fatos interessantes da Barra e do conjunto de sua conurbação. Vanique, Archimedes Pereira Lima, Eronides Araújo, João Alberto, Haroldo Veloso, Valdon Varjão, Zeca Costa, Hans Donner, Vasco Mil-Homens, Wilmar Peres, Lalau. Esses e tantos outros nomes ajudaram esculpir a Barra. Sempre ouço sobre eles, mas até meados da década de 1980 o nome Antônio Paulo da Costa Bilégo era estranho para mim. Porém, meu amigo Eduardo Gomes Franco, nascido em Torixoréu, nas barrancas do Araguaia, me falou sobre Bilégo. O xará contou-me a proeza de Bilégo que enquanto prefeito de Araguaiana transferiu a prefeitura para o distrito de Barra do Garças, ato que representou o primeiro ‘golpe de município’ que se tem notícia no Brasil. Interessei-me por esse fato e conversei com antigos moradores das duas localidades citadas. Em 1996, quando do lançamento de uma campanha de vacinação contra a aftosa conheci o veterinário Paulo Bilégo, que é um dos filhos de Bilégo, o prefeito que deu o sopro institucional para criar o município de Barra. Em várias oportunidades conversei com Paulo Bilégo, mas ele nunca alardeou as inegáveis virtudes do pai. Em 19 de janeiro, no Palácio Paiaguás, cobri uma coletiva do Indea sobre o resultado da campanha de vacinação contra aftosa realizada em novembro. Nesse evento encontrei-me com o herdeiro do prefeito Bilégo e ele me falou sobre a publicação de um livro escrito pelo pai e intitulado “Bilégo 100 anos: Memórias de um Pau de Arara – Um batelão de historia”, obra catalogada por mãos de familiares e amigos com prefácio do doutor Rômulo Vandoni. Dias depois recebi essa obra, que li, reli e pela qual agradeço a Paulo Bilégo, pois nela deparei com riquezas de detalhes a vida honrada da figura ímpar da Barra, que até então conhecia superficialmente. Cidade que carrega DNA político de Antônio Paulo da Costa Bilégo não poderia mesmo ser outra senão a envolvente e singular Barra do Garças. Eduardo Gomes é jornalista [email protected]

Edição EDIÇÃO 16959




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