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Cuiabá MT, Terça-feira, 23 de Junho de 2026

ARTIGO
Sábado, 30 de Outubro de 2010, 13h:17

EDUARDO GOMES

De abestados

Aos miseráveis, os rigores da lei; aos poderosos, seus benefícios. No Brasil é assim. Esta máxima se aplica muito bem ao caso de Tiririca, que está sob o severo crivo do preciosismo da lei. Tiririca é Francisco Everardo Oliveira Silva, cabeça chata cearense de Itapipoca. Sua escola foi o mundo e mais precisamente os picadeiros dos circos onde levava o público ao delírio e de onde saiu para ganhar o Brasil com seu humor sem nenhum retoque de produção artística. Deputado federal Tiririca (PR/SP) recebeu 1.353.820 votos (6,35% do eleitorado). No entanto, sua diplomação está por um fio. O Ministério Público entende que há falsidade ideológica em sua declaração ao TRE, onde sobre escolaridade informa que: “Lê e escreve”. A Justiça Eleitoral não é exemplo de eficiência. Para evitar os caros processos que resultam de situações iguais a essa, bastaria o mínimo de objetividade: os candidatos com baixo nível de escolaridade (apurados por servidores no ato do pedido de registro) deveriam ser levados à presença do procurador, que se manifestaria pelo registro ou não. Isso não acontece porque somos país do palacianismo, onde encasteladas figuras garantem suas reservas de mercado imitando o português que fica na porteira do curral contando os cascos dos bois e posteriormente os divide por quatro para saber quantos passaram. A democracia avançou em quase todos os sentidos, menos no tocante ao Judiciário Eleitoral. Em Mato Grosso, alguns municípios são prejudicados administrativamente pela morosidade no julgamento de ações contra prefeitos eleitos em 2008, o que resultou processos, que agora desembocam em eleições suplementares em Ribeirão Cascalheira, Campos de Júlio, Poconé, Novo Mundo e como recentemente aconteceu em Santo Antônio de Leverger. O ideal seria que todas as ações eleitorais fossem julgadas antes da posse. No caso de agora (que deveria ser exceção das exceções), a eleição suplementar deveria se realizar com o segundo turno presidencial, para reduzir custo. Voltando a Tiririca, acho que esse irreverente palhaço é duplamente vítima do estado, que não o alfabetizou quando criança e, agora, do Ministério Público, que não usa os benefícios da lei para ajudá-lo, exigindo da Secretaria de Educação uma blitz de alfabetização que lhe conceda a condição – mínima – de alfabetizado, em respeito ao eleitor cansado do espertalhão colarinho branco e em busca de representante com cara e escolaridade da gente humilde, dos abestados. Eduardo Gomes é jornalista [email protected]

Edição EDIÇÃO 16967




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