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ARTIGO
Quarta-feira, 20 de Maio de 2009, 21h:33

LUIZ CESAR DE MORAES

Culpado ou inocente?

O narguilé é o modismo do momento, uma prática das mais difundidas entre a juventude brasileira. Mais conhecido em nosso meio como cachimbo árabe, é a melhor opção para quem fuma e não quer ter o organismo prejudicado pelas centenas de substâncias do tabaco, afinal sua fumaça passa por um processo de purificação ao ser aspirada através de um recipiente de água perfumada e se torna inofensiva. Quê beleza... Será isso verdade? Negativo! Exceto pela definição de que narguilé é um arremedo de cachimbo usado para fumar tabaco e outros fumos menos populares, o resto é tudo mentira! Para ser mais claro, narguilé é só um cachimbo diferente, popular entre turcos, indus e persas (e também entre os jovens), composto de um fornilho, um tubo e um vaso, cheio de água perfumada ou aromatizada, que o fumo atravessa antes de chegar à boca. A água é que faz a diferença, pois deixa a fumaça mais tolerável, mas isso leva o fumante a inalar maior quantidade de toxinas sem que perceba. O resultado de pesquisas aponta que o uso do narguilé é muito mais prejudicial do que o do cigarro, potencializando os males à saúde em até dez vezes. A Organização Mundial de Saúde (OMS) alerta que a fumaça inalada em uma sessão de narguilé, que pode durar entre 20 minutos e uma hora e corresponde à inalação de 100 a 200 cigarros, é da ordem de até 10 litros. A grande popularidade do narguilé entre os jovens e os males que provoca entre os seus usuários levou um parlamentar brasileiro a apresentar um projeto de lei propondo a proibição da venda de narguilé aos menores de 18 anos. Mas isso é muito pouco perto do perigo que representa um modismo que, por mal dos pecados, ainda é defendido pelos jovens como uma coisa inofensiva. O ato de fumar narguilé é tão nocivo à saúde quanto fumar cigarro, o cachimbo tradicional, mascar fumo ou seja lá qual a forma escolhida para se usar tabaco. É preciso que os pais saibam disso, e que deem a informação correta aos filhos que demonstrarem interesse em fazer uso do narguilé – um modismo que prejudica a saúde, repito – embora a garotada afirme que não. É demonstração de bom senso da parte do jovem que nunca experimentou narguilé, que continue longe dele. Aquele que está usando, que pare enquanto é tempo, se ainda não se tornou dependente. Quem já é dependente pode buscar ajuda médica para parar com isso de uma vez por todas. Hoje em dia a medicina evoluiu muito quando o assunto é ajudar as pessoas a pararem de fumar. Há uma série de recursos, inclusive medicamentos novos, que permitem ao fumante viver os primeiros dias (aqueles mais difíceis de suportar) longe do cigarro, charuto, cachimbo... ou do narguilé! LUIZ CESAR DE MORAES é editor de Opinião do Diário

Edição EDIÇÃO 16968




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