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ARTIGO
Sexta-feira, 13 de Agosto de 2010, 19h:21

PAULO ZAVIASKY

Covardias da democracia

Cuiabá já foi considerada o celeiro cultural do Brasil. Expressões políticas cuiabanas, exaustivamente declinadas, combinavam com a cultura de um D. Aquino Corrêa, jovem Arcebispo cuiabano fundador da Academia Mato-grossense de Letras e membro da Academia Brasileira de Letras. O extraordinário filólogo desta terra, nosso professor Cesário Neto que contestou o próprio dicionário da Língua Portuguesa, editado em Portugal, e cuja tese logrou êxito nas palavras contestadas, a ponto de editarem, naquele país, uma segunda edição com as correções de nosso ilustre homem das letras desta Cuiabá e da Nação brasileira com as homenagens da própria Academia Portuguesa de Letras. O extraordinário professor Nilo Póvoas, inconteste formador de opiniões e rigoroso em nossa língua que sempre nos ensinou a não ter vergonha em falar certo, corretamente! Uma geração inteira aprendeu com ele que, mesmo estando no meio de analfabetos, nas pronúncias e vernáculo, viciados em sofismas tintinabulares, réstias de côdeas, não exageremos nos malabarismos da língua, sejamos simples e nunca nos envergonhemos em falar corretamente, sem pedantismos, conforme o local. Ao contrário de hoje onde importantes homens públicos, professores e até filólogos, se acovardam no meio da maioria ignara e preferem falar e pronunciar errado numa inversão de valores desanimadora. E tal inversão atinge tudo e todos. Aprendemos a mil séculos que deveria existir em nossa República federativa os três poderes que, embora independentes seriam harmônicos entre si. A gurizada afoita de hoje, chega veloz no pote de barro da água fria cuiabana, trincando-o perigosamente. Não há independência entre os poderes, essa é a infeliz realidade. A impressão é a de que todos vivem trocando favores ilegais, a ponto de ficarem com os rabos no vão das pernas. Um deve favores a outro e vice versa. Agora, convenhamos, a submissão do legislativo que, teoricamente é quem deveria apontar os rumos da democracia, fica ajoelhado ao poder judiciário que é, hoje, o que os quartéis de ontem exerciam nas acrobacias malabaristas do circo Brasil covarde. As fotos 3 x 4 dos candidatos que apresentavam, todo iguais, seus cansativos currículos apenas no movimento de 64, foram substituídas pelas alavancas dos judiciários brasileiros que ditam normas, cassam, mandam, mudam tudo, prendem, amassam e arrebentam, exatamente como o general Figueiredo fazia de cuecas com seu maior amigo que era seu cavalo. Tudo é proibido. Se alguém cumprimentar um político hoje e ele responder ao cumprimento... É compra de votos! Hoje, as mordaças dos militares foram substituídas pelas costuras na boca, com pregos enormes do judiciário, furando nosso beiço. Não é bem isso que queríamos e não é essa a missão daquilo que já estão apelidando por aí de “ditadura” ou “judicialização” na política, talvez por causa da fragilização por que passa o judiciário brasileiro, também vítima de tantos escândalos que mancham aquele poder que sempre pretende estar acima de todos, do bem e do mal, quando as verdadeiras democracias do mundo moderno apontam para outro lado, o lado da nação. Cadê o respeito ao voto do povo, aos anseios do povo, à escolha do povo? Tudo isso, caso um candidato for aceito e eleito. Contestar depois é ditadura ou grave incompetência. Mas, o judiciário apenas cumpre a lei, embora, como disse, esperneando e espirrando para todo lado. O que faz o legislativo? Submisso, ajoelhado, quando deveria estar criando leis e normas racionais, obrigando o próprio judiciário a segui-las. Não fazem isso. Por que? O executivo, por sua vez, banca o Pôncio Pilatos, mesmo arcando com as conseqüências de cassações, prisões, seqüestro de cofres públicos pelos aventureiros do judiciário de hoje que apenas quer mandar em tudo, apesar disso aí a que assistimos. Éramos felizes e não sabíamos. Nunca houve ditadura de 64. Foi um movimento paroquial de monges beneditinos, freiras e irmãs de caridade... Se comparado com os absurdos de hoje, onde apenas os criminosos nunca são punidos! Que falta faz a educação para o povo. * PAULO ZAVIASKY é jornalista [email protected]

Edição EDIÇÃO 16959




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