Devotos desde os tempos das Lavras do Sutil, a Irmandade de São Benedito se reúne meses antes para dar vida, cor, sabor e muito esplendor aos festejos ao santo. As homenagens duram quase 30 dias. E, unidos em nome da crença e da fé iniciam a procissão. Os fogos e a banda de música anunciam a passagem do cortejo, pelas ruas e becos históricos da cidade. No andor devidamente decorado, a imagem do santo é levada com cuidado. O mastro e a coroa compõem o ritual. E, debaixo do sol de 40 graus, os fiéis sobem e descem a ladeira sem canseira. De janelas e portas abertas, os moradores aguardam a comitiva. Recebidos na sala com adoração, a Irmandade de São Benedito é convidada para ir até a cozinha. Sobre a mesa forrada de chita, os quitutes preparados à base de arroz, queijo e farinha são degustados com alegria. Mas é na procissão que os fiéis dão as mãos, e demonstram a maior manifestação de fé e adoração. As chamas indecisas das velas incentiva os cantos e rezas que ecoam pelos ares como manda a tradição. Com os olhos lacrimejados, pagam promessas feitas a São Benedito com louvação. Os mais crédulos percorrem o trajeto descalços ou de joelhos. Enquanto outros, em silêncio caminham a passos lentos. Com a cabeça voltada para o chão, dialogam com o santo. Como filhos arrependidos por suas faltas, pedem por sua intercessão, e seguem em oração. Após o cortejo é oferecido aos fiéis o afamado chá co bolo. Logo mais a noite, a Maria Izabel é a dama do cartaz. As sobremesas típicas são servidas para adoçar o paladar. Sem falar do licor de leite que não pode faltar. É apreciado aos poucos para os festeiros não cambalear. Assim, como se todos fizessem parte de uma só família, a Irmandade de São Benedito realiza uma grande confraternização. E o palco para os festejos e adoração ao santo é o largo da centenária Igreja do Rosário. Localizada no coração da cidade que pulsa sem parar, é ali que o espetáculo há tempos é comemorado. O templo é devidamente decorado. As bandeirolas coloridas e soltas ao vento bailam sem parar. Dão boas vindas à população que vindos de perto ou de longe não param de chegar. E logo se encantam com as belezas do lugar. As famílias ali reunidas não cansam de prestigiar aquela que é considerada a maior manifestação de fé da querida Cuiabá. Os shows pirotécnicos, as músicas regionais, e danças folclóricas compõem a festança. E, sob os olhares piedosos de São Benedito que está de plantão, os devotos amanhecem o dia com empolgação. Resplandecendo em cada face o entusiasmo de manter viva a tradição, ao reunir a cuiabanice antiga e da nova geração. Alegres esbanjam muita descontração quando dizem que não são pau rodados. Orgulhosos assumem o regionalismo ao afirmarem que são cuiabanos de chapa e cruz. Enaltecendo assim, a identidade de um povo religioso, simples, hospitaleiro e festeiro. E gente igual a essa em outro lugar não há! De sorriso fácil, fala mansa e carregado de sotaque, encantam os visitantes no primeiro instante. Se deixar, passam horas as suas histórias a nos contar. Sem preocupação com o relógio que insiste em acelerar, revolvem lembranças que o tempo quer apagar, de uma Cuiabá bem diferente desta que aí está. Nostálgicos reconhecem que os caminhos mudam com o tempo. Mas insistem em dizer, que a fé e veneração a São Benedito essa jamais irá morrer. E é com louvor e adoração, que os cuiabanos mais um ano prestigiam o Santo Negro da nossa tradição. Viva São Benedito! *EDILEUZA FARIA é jornalista e entusiasta pelas coisas da nossa terra
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