ARTIGO
Quarta-feira, 16 de Novembro de 2011, 20h:36
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ADILSON ROSA
Cheirosos e perfumados
A Avon vai deixar de fabricar a fragrância masculina spicy, após décadas e décadas em seu tradicional catálogo. Uma pena. O perfume morreu porque não está mais na lista dos mais comprados e como qualquer indústria, a Avon vive de lucro. Esse perfume fez parte de minha adolescência e também juventude. Um perfume inesquecível que vai ficar na saudade, mas que agora ficou encalhado. Os tempos mudaram, a classe média, mais endinheirada, prefere novos perfumes, aos antigos mesmo que sejam populares. São perfumes mais caros, porém suaves. É o chamado produto novo que veio para ficar, pois quem tem dinheiro pode escolher e se puder, leva o mais caro, pois em se tratando de perfume, o brasileiro quase não economiza. Novas perfumarias surgiram e abocanharam essa clientela ávida de novos produtos, incluindo cosméticos, maquiagem e no caso do homem, o perfume, o desodorante. Indústrias nacionais algumas com lojas e outras também no velho catálogo -, mudaram o conceito de fragrância e estão lucrando como nunca. Muito mais que perfume, alguns são medicamentos que é o caso do desodorante rolon que hoje já não gruda na roupa nem deixa manchas. Para não ter mais prejuízo, indústrias tradicionais renovam seus portfólios justamente para não perder os atuais clientes com ganhar novos. O gosto popular já não é mais o mesmo. Perfumes baratos eram comprados porque o dinheiro era curto, mas agora que está sobrando, uma vaidade a mais não faz mal. A trajetória das fragrâncias no Brasil faz parte da história de muita gente. Quem não se lembra do famoso perfume Tabu, que era forte, muito forte, pois de longe a gente o conhecia. Quando alguém passava esse perfume e entrava num ônibus, difícil não senti-lo. As fragrâncias não são mais as mesmas. Chocolate, manga, champanhe, mel e limão que antes eram somente sabor de bolacha ou mesmo gelatina, são encontrados em cremes hidratantes. Essa inovação é de perfumarias brasileiras que obrigaram as grandes indústrias a também lançar essas fragrâncias. Tudo para não ter prejuízo e ao menos manter a fatia desse segmento que cresce todo ano. Afinal, o povo brasileiro não quer se sentir apenas bonito, mas cheiroso e perfumado. ADILSON ROSA é repórter