Steven Spielberg é um dos meus preferidos no ofício cinematográfico e seu último filme Cavalo de Guerra é um tributo ao cinema clássico, grandiosamente espetacular, tão comum nas películas dos anos de 1940 e 1960. É impossível não comparar as cenas finais do filme de Spielberg com as imagens de ...E O Vento Levou (1939). A bela fotografia com longas tomadas -, em campos europeus, evocam as grandes obras do diretor John Ford. O filme é uma adaptação do livro Cavalo de Guerra, lançado em 1982 pelo inglês Michael Morpurgo e que fez muito sucesso nos palcos do East End londrino. Coube a Spielberg adaptar para o cinema este drama sobre um cavalo e seu criador. E o diretor o faz de maneira sublime, resgatando temas recorrentes em sua trajetória como um dos maiores nomes do cinema moderno: o rito de passagem de jovens diante de uma provação, laços de amizade, o inabalável afeto familiar, a força extraordinária que rompe essa harmonia e a jornada épica dos protagonistas para se recomporem. Uma das marcas de Spielberg é retratar conflitos a II Guerra Mundial, por exemplo, é tema recorrente, da comédia 1941 (1979) ao oscarizado A Lista de Schindler (1993). Passando pelo hiperrealista desembarque na Normandia em O Resgate do Soldado Ryan (1998) e em Império do Sol (1987), que mostra o drama de um menino inglês tentando sobreviver à ocupação japonesa em Xangai, em 1941. Até mesmo nos filmes sobre o arqueólogo Indiana Jones ele retorna ao tema. Em Cavalo de Guerra, pela primeira vez, Steven Spielberg narra um drama ambientado na I Guerra Mundial (1914 1918). O personagem principal é o cavalo Joey, domado pelo jovem Albert (Jeremy Irvine) para ajudar no trabalho da pequena fazenda arrendada pela família. Quando eclode o conflito, o pai de Albert, endividado, vende Joey para o exército britânico. Começa então a odisséia do valente e tenaz cavalo pelos campos de batalha na França, onde britânicos e alemães travam o conflito. Joey passa de montaria de um oficial inglês a animal de carga do inimigo, ganha abrigo de um fazendeiro francês e sua netinha, volta para os alemães e outra vez para os ingleses. Nessa ciranda que mantém o cavalo sempre no primeiro plano, Spielberg, com engenhosidade, conduz com delicadeza a história. Hoje, o lançamento de um filme de Steven Spielberg não provoca o mesmo frenesi do passado. Porém, aos 65 anos, ele chega à maturidade, com muitos prêmios e dinheiro, e com a mesma habilidade em mexer com as emoções da platéia. * Gustavo Oliveira é diretor de Redação do Diário.
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