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ARTIGO
Quarta-feira, 23 de Dezembro de 2009, 22h:43

ROSIVALDO SENNA

Caso Sean Goldman

Em meio às acusações de favorecimentos e até de certa falta de empenho das autoridades brasileiras, finalmente chegamos ao fim da saga “Sean Goldman”. Ontem, o ministro Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal, amparado por decisão em outros entendimentos da Corte, decidiu pela cassação da liminar que impedia que pai do menino Sean, o americano David Goldman, ficasse com o filho. Semana passada, o ministro do STF Marco Aurélio de Mello aceitou recurso da família brasileira e decidiu que o garoto deveria permanecer no país até ser ouvido pela Justiça. Um dia antes, a Justiça Federal no Rio havia determinado que a criança fosse entregue ao pai. A briga pela guarda de Sean Goldman, de apenas 9 anos, começou em 2004, quando a mãe dele deixou o pai. O pretexto foi uma viagem ao Brasil. Férias de duas semanas aqui com o garoto. Depois ela só ligou para dizer que não voltaria mais com o filho e que o casamento estava acabado. E a história começou esquentar mesmo após a morte da mãe de Sean. O pai, americano, entrou com tudo para reaver a guarda do filho, mobilizando tanto a opinião pública daqui (Brasil), como de lá (EUA), principalmente o governo americano. Teve intervenção até da secretária de estado norte-americano, a Hillary Clinton. Ouve ameaças de retaliações e outras coisas mais. A avó do menino chegou a dizer que o Brasil havia trocado seu neto por um acordo econômico com os Estados Unidos. Coincidentemente, após a decisão do Supremo Tribunal Federal determinando a entrega de Sean a seu pai, o Senado americano aprovou por unanimidade a extensão do programa de isenção tarifária que beneficia exportações brasileiras. Para um site no Brasil ela, a avó de Sean, disse estar estarrecida. “Quem tem filho, que se cuide. Nunca imaginaria que uma criança poderia ser trocada por um acordo econômico. Isso é uma vergonha para um país como o Brasil", disse ela. Mas, segundo o mesmo site, mesmo contrariada com a decisão, disse ter ainda esperanças de uma boa convivência com o pai de Sean. Moral da história: apesar de todo o apelativo quanto ao amor dos avós, do desejo de todo para que o menino permanecesse no Brasil e também o envolvimento político entre Brasil e Estados Unidos, ingredientes que muitas vezes derrubam qualquer decisão racional, como a verdade. O direito garantido pela lei permaneceu intacto, deixando transparecer que nem tudo está perdido. E, finalmente, foi feito justiça. Que me desculpem os avós. O direito, neste caso, é do pai. O estado de direito foi garantido. ROSIVALDO SENNA é editor de Nacional, Internacional e Veículos [email protected]

Edição EDIÇÃO 16968




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