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ARTIGO
Terça-feira, 19 de Janeiro de 2010, 03h:08

CLAUDIO DE OLIVEIRA

Bufo marinus

Um artigo de domingo no caderno Mais da Folha de SP me colocou para pensar. Gosto em especial deste caderno por causa da profundidade que tratam os temas e de dois articulistas: Marcelo Leite e Marcelo Gleiser. Um imigrante ilegal brasileiro tem provocado o extermínio de outras espécies na Austrália. Devido a sua gula, insetos menores têm sofrido com seu apetite e bichos maiores têm padecido com seu veneno ao tentar engoli-lo. Bufo marinus, ou simplesmente sapo-cururu, é o vilão da história ou não, dependendo do ângulo em que se olha já que o pobre anfíbio conseguiu ganhar a simpatia do governo. Marcelo Leite explica que o Bufo foi introduzido no país para conter a praga dos besouros na lavoura de cana de açúcar e tornou-se ele mesmo uma praga. Depois de inúmeros estudos que entre outras coisas até estipularam a velocidade com que se desloca o cururu, saltam de 0,3 km/h (sob 15°C) a 2,2 km/h (a 30°C). Mais quente ou mais frio que isso, o desempenho dos bichos cai muito. Um novo estudo tem questionado a maneira pela qual o bicho vem sendo morto. Depois de alcançar a Austrália Ocidental, estado mais a oeste do país. E de ter um grupo dedicado ao seu extermínio, os voluntários da KTB - Kimberley Toad Busters (caçadores de sapos da região norte da Austrália Ocidental). O estudo publicado na revista The Scientist aponta que o uso do CO² para matar o marinus não é humanitário. O KTB está revoltado. Depois de matar mais de meio milhão de cururus em cinco anos de atividade, na tentativa de conter a marcha para oeste, a ONG foi desprovida de sua principal arma antianfíbios, o CO² (dióxido de carbono). A determinação partiu do Departamento de Ambiente e Conservação do governo estadual. Ainda, segundo o artigo, o KTB se defende dizendo que o CO² anestesia os bichos de imediato, sem sinais de estresse, e que eles ficam inconscientes até morrer. Poxa... Inconsciente é demais! Como afirma o nosso querido jornalista que desconhecia esta qualidade do sapo-cururu. Não dá para levar em consideração tanto a afirmação do governo quanto do grupo. Baseado em que um sapo merece tratamento humanitário? Acho que ecologia e ambientalismo também deviam passar pelo bom senso. Isso enquanto não inventam aquele aparelhinho chamado desconfiômetro. CLAUDIO DE OLIVEIRA é repórter

Edição EDIÇÃO 16968




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