Um artigo de domingo no caderno Mais da Folha de SP me colocou para pensar. Gosto em especial deste caderno por causa da profundidade que tratam os temas e de dois articulistas: Marcelo Leite e Marcelo Gleiser. Um imigrante ilegal brasileiro tem provocado o extermínio de outras espécies na Austrália. Devido a sua gula, insetos menores têm sofrido com seu apetite e bichos maiores têm padecido com seu veneno ao tentar engoli-lo. Bufo marinus, ou simplesmente sapo-cururu, é o vilão da história ou não, dependendo do ângulo em que se olha já que o pobre anfíbio conseguiu ganhar a simpatia do governo. Marcelo Leite explica que o Bufo foi introduzido no país para conter a praga dos besouros na lavoura de cana de açúcar e tornou-se ele mesmo uma praga. Depois de inúmeros estudos que entre outras coisas até estipularam a velocidade com que se desloca o cururu, saltam de 0,3 km/h (sob 15°C) a 2,2 km/h (a 30°C). Mais quente ou mais frio que isso, o desempenho dos bichos cai muito. Um novo estudo tem questionado a maneira pela qual o bicho vem sendo morto. Depois de alcançar a Austrália Ocidental, estado mais a oeste do país. E de ter um grupo dedicado ao seu extermínio, os voluntários da KTB - Kimberley Toad Busters (caçadores de sapos da região norte da Austrália Ocidental). O estudo publicado na revista The Scientist aponta que o uso do CO² para matar o marinus não é humanitário. O KTB está revoltado. Depois de matar mais de meio milhão de cururus em cinco anos de atividade, na tentativa de conter a marcha para oeste, a ONG foi desprovida de sua principal arma antianfíbios, o CO² (dióxido de carbono). A determinação partiu do Departamento de Ambiente e Conservação do governo estadual. Ainda, segundo o artigo, o KTB se defende dizendo que o CO² anestesia os bichos de imediato, sem sinais de estresse, e que eles ficam inconscientes até morrer. Poxa... Inconsciente é demais! Como afirma o nosso querido jornalista que desconhecia esta qualidade do sapo-cururu. Não dá para levar em consideração tanto a afirmação do governo quanto do grupo. Baseado em que um sapo merece tratamento humanitário? Acho que ecologia e ambientalismo também deviam passar pelo bom senso. Isso enquanto não inventam aquele aparelhinho chamado desconfiômetro. CLAUDIO DE OLIVEIRA é repórter