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Cuiabá MT, Quinta-feira, 18 de Junho de 2026

ARTIGO
Sábado, 21 de Setembro de 2013, 13h:21

BLAIRO MAGGI

Brasil, potássio e agricultura

Na semana passada foi realizada audiência pública na Comissão de Meio Ambiente Controle e Defesa do Consumidor (CMA), da qual sou presidente, para discutir a exploração de minérios no Amazonas. O foco da audiência foi à exploração de potássio na Bacia do Amazonas, onde foi descoberta a 3ª maior reserva do planeta desse minério, que é fundamental para a nossa agricultura, já que é um dos componentes dos fertilizantes agrícolas. O potássio, juntamente com nitrogênio e fósforo, é usado principalmente como base da adubação utilizada nas lavouras de grãos. No entanto, dos três elementos, é o potássio o mais dependente de importação. Temos grande produção de alimento e pouco potássio! Importamos 92% do que usamos e se nada for feito, em 2019, poderemos estar importando 100%, uma vez que a única fonte de exploração do minério no Brasil, a Mina de Taquari-Vassouras, em Sergipe, está em declínio. O Brasil é o mercado consumidor de potássio com maior taxa de crescimento, segundo maior importador e quarto maior usuário mundial. Usamos 80% do potássio importado pela América do Sul. Sempre gosto de frisar que o setor primário é o mais importante, não porque vem primeiro, mas porque da agricultura depende a sobrevivência dos bilhões de seres humanos que habitam o planeta. Todos precisam de alimentos para sobreviver! A bacia de potássio do Amazonas é estratégia para os objetivos do país. Temos viabilidade técnica e econômica e a logística da região é maravilhosa para a escoação, pois serão usados os corredores aquaviários, o que tornará o frete muito barato. As pesquisas divulgadas pela Potássio do Brasil, as mais avançadas na região de Autazes, mostram que as reservas de minério já são suficientes para uma produção mínima de 2 milhões de toneladas de cloreto de potássio por ano, durante pelo menos 25 anos. A empresa considera bastante relevante o fato das reservas descobertas em Autazes ocorrerem em profundidades que variam entre 650 e 860 metros e, dessa forma, serem econômica e tecnicamente bem mais fáceis de serem exploradas do que as jazidas da Petrobrás na região de Fazendinha e Arari, que estão a profundidades superiores a 1.000 metros. Essas camadas mineralizadas em potássio estão a profundidade, geologia e tamanho semelhantes aos da Bacia Sedimentar de Saskatchewan no Canadá, hoje responsável por 32% da produção de cloreto de potássio no mundo. Estudos também sugerem que a extração do minério deve ser semelhante ao que ocorre na maioria das minas em produção na Rússia e no Canadá, por meio de lavra subterrânea mecanizada. Dessa forma, estima-se extrair o potássio a custo similiar a outros depósitos no mundo. Temos, no entanto, uma grande vantagem comparativa que é o baixo custo de entrega do produto para zonas agrícolas no país. Estaremos usando os rios e ferrovias existentes e temos transporte competitivo para o mundo todo usando os portos já existentes na região, com acesso direto a navios de grande porte. Para a região do Cerrado – a nova fronteira agrícola com milhões de hectares sendo preparados para modelos modernos de agricultura com necessidade de fertilizante para se desenvolver – poderão ser usadas, por exemplo, as cargas de retorno que usam o corredor da BR-163 até os portos de Miritituba e Santarém no Pará e que estariam voltando vazias rumo à região produtora de Sinop, Sorriso, Lucas do Rio Verde e outras cidades de Mato Grosso, Goiás, Mato Grosso do Sul, etc.. Essa conta é muito importante para o sucesso da exploração dessas jazidas. Não estamos falando da exploração de um único posso de potássio, mas sim da perspectiva concreta de conseguirmos a autossuficiência na produção desse minério, o que trará uma competitividade sensacional para o Brasil frente ao mercado internacional de alimentos. Além de ser uma grande chance de desenvolvimento econômico e social e de distribuição de renda para a região amazônica. São grandes reservas de sais de potássio, em especial a silvinita, ainda não exploradas. As principais reservas estão entre os municípios de Autazes e Nova Olinda do Norte, no corredor do rio Madeira. Segundo avaliações, a quantidade de silvinitas existentes no Amazonas é suficiente para atender toda a demanda brasileira e ainda ser exportada. A exploração dessas silvinitas favorecerá o crescimento econômico com distribuição de renda na região, pois, muitos municípios são dependentes de repasses do Fundo de Participação dos Municípios e de ICMS, sendo a mineração uma opção para viabilizar a geração de empregos. Além disso, o Amazonas é uma área de grande potencial para minerais agregados como o ouro e diamante e também em terras-raras, onde se encontram as principais reservas brasileiras desses elementos, utilizados na indústria de alta tecnologia. Conforme dito na audiência, a exploração mineral não terá resistências por parte da população nem dos municípios envolvidos, pois ela trará benefícios a todos. É uma luta dos estados produtores de alimentos, mas precisa ser uma luta do Brasil. Junto com a senadora Vanessa Grazziotin, prefeitos e deputados do estado do Amazonas, fomos até o Ministro Edson Lobão, de Minas e Energia, pedir empenho para que a exploração de potássio em Autazes seja deslanchada o mais rápido possível. “Vocês estão querendo uma coisa que também queremos”, foi a resposta do ministro à nossa comitiva. Ora, se já foi comprovada a mineralização de potássio distribuída por toda bacia, se temos viabilidade técnica de exploração, temos logística de transporte a baixo custo para escoamento da produção e, mais do que tudo, temos uma demanda crescente, então só falta fazer. É preciso empenho do governo federal para que a nossa autossuficiência de cloreto de potássio, se torne realidade em curto prazo. Dentro do Senado Federal, estaremos criando uma Frente Parlamentar pela autossuficiência de potássio no Brasil. Afinal, se temos esse minério em abundância, e com capacidade para suprir o mercado interno brasileiro e ainda importar, é hora de iniciar o debate para que a exploração possa sair do papel. Para tanto, considero importante ressaltar que o estado do Amazonas já deu início aos estudos ambientais, para que a extração possa ser feita com segurança. *BLAIRO MAGGI é senador da República por Mato Grosso

Edição EDIÇÃO 16964




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