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ARTIGO
Quinta-feira, 18 de Abril de 2013, 21h:08

TÂNIA REGINA DE MATOS

Boston e o CGN

O movimento “Lei e Ordem” teve seu nascimento nos Estados Unidos da América com o firme propósito de conter o avanço da violência. É integrado principalmente por quem defende uma ideologia da repressão para conter um inimigo criado através do medo. A estratégia é difundir a ideia de que a criminalidade encontra-se sem controle criando um verdadeiro estado de desespero entre as pessoas que reclamam solução imediata para o angustiante problema da segurança pública. Em 2001, as Torres Gêmeas foram alvo de atos terroristas dando provas de que a política de “Tolerância Zero” é uma falácia e nenhum país na face da Terra está efetivamente seguro. Após esse triste episódio, assistimos à imposição de duras restrições aos estrangeiros, a uma onda de pânico entre os americanos, à invasão ao Afeganistão e finalmente a morte de Osama bin Laden. Passado 1 ano e 11 meses, ou seja, às véspera de completar dois anos do extermínio do fundador da Al-Qaeda, mais um atentado assusta a maior potência capitalista do mundo. Qual será a reação? O que virá pela frente? Não consigo enxergar legitimidade num movimento que alimenta o ódio e a aversão por quem pensa de forma diferente, por mais nobre que seja a causa. Durante algum tempo fui simpatizante do comunismo. Era agradável a ideia de viver numa sociedade igualitária. Havia lido “Henfil na China”, “Olga” e “Perestroika”, sugeridos pelo meu falecido pai, comunista convicto até ser anistiado pelo presidente Figueiredo, quando voltou a receber seu soldo militar (não conseguia dividir sua renda nem com a minha mãe, que era professora e ganhava bem menos que ele). Com o tempo fui entendendo que determinado sistema, forma e regime de governo para funcionar depende do grau de evolução de seu povo e que a educação de boa qualidade é fator preponderante nesse processo. A professora Vera Pereira de Andrade, pós-doutora em Direito Penal e Criminologia, afirma em um de seus artigos que no senso comum do capitalismo globalizado sob a ideologia neoliberal (CGN) domina uma leitura da criminalidade violenta de rua como sendo o grande inimigo causador da insegurança individual e coletiva. O controle penal desse capitalismo está às voltas com o problema da estabilização da ordem, gerado e agravado pelo desemprego, aumento da pobreza, individualismo e intolerância para com o outro, traduzido no excesso de pessoas tratadas como lixo humano, “multidão”, os “novos impuros”. Refletindo sobre o ensinamento da professora catarinense, penso que os grandes inimigos da paz social são: a intolerância, o egoísmo traduzido num crescente individualismo e o orgulho. Para atingir essa tão almejada pacificação precisamos de líderes que beirem a perfeição possuindo virtudes como tolerância, altruísmo e humildade. Infelizmente, os nossos líderes são reflexos de nós mesmos. Aqui no Brasil temos líderes sem autocontrole: que falam aos berros com seus assessores, que não conseguem tratar os seus pares de forma respeitosa e que não têm o menor pudor em representar seus colegas, mesmo respondendo a processos criminais. Esses são os nossos líderes: que não controlam a si próprios. É... e o mundo vai mal de líderes. Que o diga a Coreia do Norte! Obama, primeiro presidente negro da história dos Estados Unidos, já fez seu pronunciamento a respeito da bomba: vai encontrar o responsável ou responsáveis. Vamos esperar para ver se o grau de “Tolerância” continuará “Zero” ou se será ainda menor que isso. *TÂNIA REGINA DE MATOS é defensora pública

Edição EDIÇÃO 16961




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